Porque é tão importante partilhar valor

Há lições que esta pandemia nos trouxe - uma delas prende-se com a importância de saber partilhar valor. A mensagem que Michael Porter defendeu num célebre texto da Harvard Business School a propósito do conceito de Valor Partilhado como um elemento central na gestão da competitividade do estado e das organizações ganha atualidade neste tempo de crise. Segundo o conceituado especialista, o Valor Partilhado gerado no mercado deverá ser partilhado de forma adequada e justa pela sociedade, de forma a garantir mecanismos de resposta às necessidades crescentes de segmentos da população sem alternativas de rendimento. O Valor Partilhado é assim o compromisso de afirmação da Responsabilidade Social por parte das organizações neste tempo de crise sem precedentes. E os grandes exemplos como o do Grupo Nabeiro - no ano em que o seu líder cumpriu 90 anos - são uma referência incontornável nesta agenda.

O Estado e as empresas têm hoje uma Responsabilidade Social acrescida e mais exigente. No caso das empresas, os exemplos contam e devem ser encarados como um sinal positivo a seguir. O Grupo Nabeiro há já muito que é um exemplo de sucesso que merece a nossa admiração coletiva pelo percurso exemplar que tem consolidado na área da responsabilidade social empresarial. Mais do que um empresário de sucesso, Manuel Nabeiro foi sempre alguém que compreendeu a importância decisiva de promover uma cultura de prática de partilha junto da sai comunidade de Campo Maior e de toda a rede que construiu e consolidou ao longo dos anos. A Associação Coração Delta protagoniza esta agenda de solidariedade social - centrada em 3 áreas relevantes como a saúde, educação e ação social - promovendo uma inclusão social inteligente dos desfavorecidos e carenciados com resultados muito positivo.

O ano de 2021 - neste tempo de pós pandemia - já está a ser e vai ser particularmente relevante para o nosso país. Mais do que a capacidade de ultrapassar esta crise - que infelizmente ganhou uma dimensão estrutural nunca antes vista - o que está em cima da mesa é a capacidade da sociedade e da economia conseguirem sustentar modelos colaborativos que consigam dar resposta às necessidades e desafios de todos. E aqui o exemplo da empresa de Manuel Nabeiro e de toda a sua equipa é mais uma vez digno de registo. Num tempo complexo em que importa ter respostas rápidas ao surto de pandemia que vivemos, a sua resposta tem sido - como a de muitas outras empresas - exemplar, em termos de apoio às unidades de saúde (com a produção de equipamentos de proteção, apoio alimentar a idosos e famílias, oferta dos mais variados bens necessários). A demonstração de que a mensagem de Michael Porter é absolutamente crítica neste tempo que vivemos.

Saber partilhar valor é claramente uma agenda coletiva onde a participação individual tem um peso fundamental. E a inovação e criatividade são a chave de soluções diferentes para novos problemas que emergiram com esta crise e que se vão perpetuar no tempo. Também nesta matéria o exemplo de Manuel Nabeiro merece referência pela forma feliz como soube integrar nesta agenda de responsabilidade social positiva as nonas gerações. Rita Nabeiro, neta do fundador do Grupo e que tem estado envolvida no belíssimo projeto dos vinhos da Adega Mayor, tem tido um papel relevante na mobilização de vontades e de redes para este desafio que a todos nos obriga nestes tempos incertos e complexos que vivemos. E ao fazê-lo está a dar um sinal - o de que saber partilhar valor é hoje um skill essencial de moderna cidadania e de gestão inteligente, que torna as nossas organizações verdadeiros centros voltados para o futuro e para a renovação - que já está aí - da nossa sociedade.

(O autor escreve segundo o Antigo Acordo Ortográfico)

Francisco Jaime Quesado, Economista e Gestor - Especialista em Inovação e Competitividade

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