Porque não escolher a prosperidade?

Portugal, um país com condições naturais fantásticas à beira-mar plantado. Munidos de uma história rica, somos um povo capaz que se recusa a desistir do país. Qualquer outro povo já teria desistido há muito, após 20 anos de estagnação e 3 resgates do FMI. Muitos de nós fizeram-no.

De acordo com o Eurostat, por cada 1000 portugueses, existem no país 7,07 imigrantes de outros países. Por outro lado, de acordo com o Alto Comissariado para as Migrações e o Observatório da Emigração, somos hoje um dos países da União Europeia com mais emigrantes em proporção da população residente, uns avassaladores 20%.

Significa isto que o número de portugueses que desistiram do país e foram em busca de melhores condições de vida lá fora é hoje superior a 2 milhões. Durante o período de governação socialista 2015-2019, os nossos governantes falaram de prosperidade, mas assistimos a um aumento de cerca de 170 mil emigrantes.

A pergunta que se deve fazer, em especial ao Partido Socialista, é simples: Porque vão embora os portugueses?

Permitimo-nos durante décadas investir o capital monetário coletivo na educação e especialização da nossa força de trabalho, para depois termos uma política salarial miserável, um sistema de taxas confuso e uma burocracia que engole empresas e indivíduos. Se o objetivo for gerar valor, o país não dá alternativa senão a emigração.

Desperdiçamos dinheiro em educação para depois exportar quadros superiores por valor nenhum, em benefício de outras nações. Somos hoje incapazes que reter talento nacional.

Pesa que o problema de Portugal é fundamentalmente político e institucional. São as instituições de um estado paternalista e omnipresente, que condicionam a criação de valor.

No entanto, é fundamental entender que não são teorias com base na geografia, cultura ou ignorância dos legisladores que explicam a mediocridade das nossas instituições. Os nossos políticos não são incompetentes e não são ignorantes. A consciencialização deste facto é importante.

A situação é bastante mais grave na medida em que é altamente propositada. Não existe interesse na prosperidade geral, mas apenas na de alguns.

Mas não querem os portugueses ser prósperos?

Sim, querem. Lamentavelmente, o nosso sistema e a nossa organização estatal não servem os interesses do país ou dos portugueses mas apenas de quem os domina. Para boa parte dos políticos é fundamental que a riqueza e os negócios sejam feitos apenas numa esfera da sociedade que lhes é próxima para que possam com isso lucrar direta ou indiretamente.

Se todos formos prósperos, eles não o serão. Este ciclo infindável alimenta a corrupção e o nepotismo, neste país a quem Alexandre Soares dos Santos chamou, e bem, "um país de primos".

Esperamos então continuar a insistir nas mesmas medidas e nos mesmos métodos, à espera de resultados diferentes?

O Portugal deste PS está perdido, o dos portugueses não. Os portugueses têm na sua mão o poder de alterar o rumo do seu país, da sua vida e da vida dos seus filhos. Um povo mais próspero, mais culto e mais interventivo não é um privilégio mas um direito. Para isso temos de exigir mais das nossas instituições.

Existirão sempre diferendos em torno das instituições económicas, pois acarretam consequências diferentes para a prosperidade, distribuição da mesma e detenção do poder.

Em 1942 Joseph Schumpeter, cunhou um facto essencial: o crescimento económico e a mudança tecnológica são acompanhados de destruição criativa, ou seja, é preciso substituir o antiquado pelo novo de modo a promover o crescimento e a prosperidade para retirar pessoas da pobreza e subdesenvolvimento.

É justamente o medo e a recusa do processo transformador da sociedade que está na origem da oposição às reformas de que Portugal necessita.

Só podemos pensar em crescimento se este não for impedido por quem mais tem a perder - os detentores do poder político e económico - tão só e apenas por não querer abdicar dos privilégios já adquiridos.

O que devemos ambicionar é um país que permita aos indivíduos canalizar o seu talento para setores de atividade necessários ao mercado, com base na lei da oferta e da procura, não na lei de um estado dogmático política e socialmente.

A revolução pela inovação tem de vir da sociedade, e esta deve ser livre para que possam ser criadas oportunidades lucrativas para desenvolver e aplicar tecnologias, garantir a confiança dos direitos de propriedade e promover o acesso a diferentes mercados.

Até quando vamos insistir na culpabilização dos "outros" pelos nossos falhanços coletivos? Está na altura de assumir que a culpa é, de facto, nossa. Somos nós que votamos e ajudamos (até com o nosso desinteresse nestes temas) a perpetuar esta estagnação.

A revolução foi há 46 anos. Recebemos fundos da UE, passámos por revoluções tecnológicas e continuamos a ser ultrapassados todos os anos.

Existe solução. A aposta no Liberalismo pretende, justamente, reduzir o peso e tamanho do Estado ao indispensável, pois queremos de facto "acabar" com os pobres em Portugal. Queremos aumentar a criação de valor e promover a ascensão social.

Acabar com a desigualdade não passa por criar entraves a quem tem mais, a quem produz ou a quem emprega, aproximando-o de quem tem menos, para viverem ambos na mediocridade. Passa sim por criar condições para a ascensão social e para que um português pobre hoje, não o seja amanhã.

A titulo comparativo, Portugal e Irlanda eram dos países mais pobres do espaço europeu aquando da sua entrada na UE e ambos os países sofreram resgates do FMI sensivelmente na mesma altura. A Irlanda liberalizou o país e a economia. Portugal optou pelo socialismo.

Os Irlandeses têm hoje um PIB per capita (em paridade de compra) de 59,2 mil euros, enquanto Portugal não ultrapassa os 24,4 mil euros. O PIB Irlandês cresce 6,4% ao ano enquanto o português se fica pelos 2,6%.

Se pensarmos para além de euros, o HDI (desenvolvimento humano) Irlandês em 1990 era de 0,773 e o português 0,718. Hoje em dia os Irlandeses têm um HDI de 0,955, o 2º maior da UE, enquanto o português se fica pelo 26º lugar, com 0,864. É autoexplicativo.

É evidente que Portugal precisa de uma alternativa reformista, que não deixe tudo na mesma. Uma alternativa ambiciosa com a coragem de dinamitar o atual rumo do país de uma vez por todas, para que paremos de discutir eterna e ciclicamente os mesmos assuntos, alegremente condenados à mediocridade da cauda da Europa.

Estamos há quase cinco décadas a insistir na mesma fórmula. Que tal mudar?

Miguel Vargas, Empresário

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