Opinião: Carlos Coelho

Portugal, a outra marca, a outra margem

Fotografia: D.R.
Fotografia: D.R.

Distribuir as oportunidades, pelas margens do nosso território, devia ser um desígnio nacional

Esta semana convido todos a fazer uma viagem à ponta do nariz da marca do nosso Portugal Genial. Uma viagem a muito perto que está tão longe. Um quase nada de vista desarmada, que não se vê se não desarmarmos as razões que nos enchem de dioptrias.

As marcas territoriais são continentes que tendem a ter comportamento de ilhas. As cidades desertificam os campos e os países concentram-se em aglomerados urbanos. Esses salames de gente, cada vez mais iguais, produzem comportamentos equalizadores. Veneza afunda-se de gente, Barcelona revolta-se, Roma monta guarda policial na linha das selfies da Fontana di Trevi. Um pouco por todo o mundo, na frente dos nossos olhos, as marcas dos países estão a sofrer um novo tipo de erosão. O “vento” da globalização sopra como um ciclone “epicêntrico”, que não deixa nada na periferia.
Só conseguimos ver a ilha se sairmos da ilha. Só conseguimos ver o continente se sairmos do olho do furação que nos assusta, mas que nos encanta e que nos acabará por matar.

Se tivermos a coragem de tomar o barco para a outra margem dos pensamentos mundanos, começaremos a sentir o caminho da descompressão. Do outro lado, está sempre uma nova vista para o que pensávamos que não tinha mais ângulo. Mesmo em frente do problema, imediatamente antes do óbvio, está um campo de visão que não aprendemos a focar. Temos, na outra margem, um Portugal genial abandonado, em vias de extinção, mas desafogado de pressão humana e imobiliária. Temos na frente do nosso nariz, a solução para criar os vasos comunicantes da nossa marca e fortalecer a irrigação do coração da nossa economia. Distribuir as oportunidades, pelas outras margens do nosso território, deveria ser um desígnio nacional. Sustentabilidade é visão, não é consequência.

Continuamos a ser dirigidos pelas correntes da Europa, (que lição esta que nos custa a aprender).
Do outro lado da nossa marca, está uma margem mal-amada. Do outro lado da nossa economia está uma conta por fazer; a equação de um povo que sempre prosperou pela sua capacidade de ver para além da linha do horizonte. Temos que desvalorizar o cosmopolitismo que transformará todos os rooftops em bares, todas as residências em hotéis, todas as diferenças em mundanidades. Deixo um apelo ao pensamento “marginal” que vê por entre ângulos o que está nas outras margens e que poderá expandir, a marca de Portugal.

Presidente da Ivity Brand Corp e da Associação Portugal Digital

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