Opinião

Portugal, um bom exemplo na transformação digital europeia

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Fonte: Pixabay

A tecnologia possibilita e potencia o uso de ferramentas capazes de reinventar por completo empresas e instituições e é, grande parte das vezes, a chave para o sucesso, num mundo cada vez mais digital.

Multiplicam-se os casos portugueses de startups e empresas que crescem a 200% ao ano, como a Infraspeak, a Unbabel ou a Feedzai, graças à base digital em que assentam ou à transformação tecnológica que potenciam dentro e fora de portas.

Hoje, este é um processo que está em todo o lado. As empresas lutam diariamente para se adaptarem ao ritmo tecnológico e para continuarem no jogo. Acompanhar esta Transformação Digital é, entre outras coisas, pensar e reformular produtos através da Internet das Coisas, por exemplo, mas também reestruturar as experiências digitais do utilizador e dos serviços. Na Zoi, usamos o conhecimento tecnológico e a expertise para fazer exatamente isso, ajudar os nossos clientes, como a Bosch ou a Kärcher, a “dar o salto” neste mundo digital, criando e desenvolvendo soluções criativas de software em áreas como clouds públicas, dados, engenharia eletrónica, design e novos modelos de negócio digitais. E foi, também por isso, que viemos para Portugal, um país que é já considerado como a capital dos Digital Nomads e onde se realizam grandes eventos como a Web Summit.

Portugal está, aliás, a dar grandes provas de evolução no que à Transformação Digital diz respeito. No último painel de avaliação europeu sobre esta matéria, a estratégia de Indústria 4.0, apresentada pelo governo português, foi apontada como o bom exemplo a destacar no panorama europeu, pela sua abordagem de bottom-up. Portugal está também a dar cartas no que respeita à dimensão de cultura empreendedora. A seguir aos holandeses, os portugueses são os que mais se destacam a este nível, entre os 28 estados membros da União Europeia.

A performance deste país na digitalização da economia e das empresas cresceu significativamente, desde 2016, com destaque para o empreendedorismo e bons resultados também nas infraestruturas digitais e no ambiente tecnológico das startups. Em 2018, Portugal encontrava-se na 9ª posição do Índice de Integração Tecnológica Digital, à frente de países como a Alemanha ou a Espanha.

Já no que respeita ao Índice de Promotores de Transformação Digital, o resultado fica próximo, mas abaixo da média europeia (49,2 pontos em 100), com 48,7 pontos. Na oferta e procura de digital skills, apesar do franco crescimento de 14 pontos em 100 (em 2017) para 34 (em 2018), a avaliação continua muito aquém do desejável, tendo em conta a média europeia de 45 pontos.

Fica, por isso, a sensação de que, apesar da evolução extremamente positiva no quadro da Transformação Digital dos últimos anos, há um longo caminho a percorrer, sobretudo no que respeita ao investimento, à liderança e ao acesso ao financiamento. Nestes campos, Portugal continua abaixo da média europeia, em quatro das sete dimensões analisadas.

Acredito que a transformação digital levará a economia portuguesa a um futuro promissor. Há uma grande combinação de fatores em Portugal, talvez única na Europa: uma boa infraestrutura, uma sociedade internacional aberta que vai além da Europa, pessoas bem formadas, uma alta qualidade de vida e o desejo incondicional de fazer a diferença.

Benjamin Hermann é CEO da Zoi

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