Opinião: Alberto Castro

Positivo e negativo

Fotografia: Mário Cruz/EPA
Fotografia: Mário Cruz/EPA

As administrações hospitalares passaram no teste. Já o tempo que as cadeias de distribuição demoraram a reorganizar as vendas online desiludiu

Escrevo no dia em que se realiza o Conselho Europeu mais importante de sempre. Não querendo especular sobre o que de lá sairá, optei por partilhar algumas reflexões sobre a gestão da, e na, covid-19. Pela positiva, surpreendeu-me a capacidade dos hospitais se reorganizarem, de forma a darem uma resposta eficaz ao desafio, inédito, com que foram confrontados: quando foi preciso, reafetaram recursos, reorganizaram espaços, mobilizaram pessoas e, mesmo que com muito sacrifício, deram, como organizações, uma resposta cabal, algo secundarizada pelo enfoque, justo, que foi posto na abnegação e sentido de dever de todo o pessoal hospitalar. Gerir é, no essencial, contrariar a ordem natural das coisas. As administrações hospitalares passaram no teste: sem a sua capacidade de gestão muito daquele esforço teria sido em vão.

Pelo contrário, o tempo que as cadeias de distribuição demoraram a reorganizar as vendas online surpreendeu e desiludiu. Manter os supermercados abertos (chapeau! a todos os que lá trabalham) e assegurar o normal abastecimento, de bens alimentares e de primeira necessidade, foi crucial e positivo. Teria sido importante, porém, terem contribuído, também, para evitar que as pessoas se juntassem em espaços fechados, mesmo que controlados. A compra online seria uma boa alternativa que deixa de o ser se o prazo de entrega é de um mês (e só chega metade do encomendado). Os problemas de logística e operações são enormes. Administrações especializadas e, certamente, mais bem pagas que as hospitalares, demoraram um mês a desenhar alternativas, mais ou menos óbvias!

Negativa, a roçar o “trumpiano”, é a forma como o governo tem procurado alijar responsabilidades na questão dos lares de idosos, para o qual estava mais do que alertado, e que não pode ser resolvido soltando os utentes. Bem sei que não são estatais! Ainda por cima, muitos deles ficam longe, lá na província. Prestam, porém, um serviço público inestimável que teria justificado outra atenção e prioridade, mais não fora por respeito para com as pessoas afetadas.

 

Alberto Castro, economista e professor universitário

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