Opinão

Prego a fundo, até quando?

Christine Lagarde, diretora-geral do FMI. Fotografia:  EPA/LAURENT GILLIERON
Christine Lagarde, diretora-geral do FMI. Fotografia: EPA/LAURENT GILLIERON

Os alertas do Fundo Monetário Internacional são dignos de registo. A instituição veio dizer, nesta semana, que está preocupada com a “confluência de fatores que provavelmente não durará muito” por forma a garantir um contínuo crescimento da economia mundial, apesar de ter sido revisto em duas décimas pelo próprio FMI, alcançando os 3,9%, mas só para os anos de 2018 e de 2019.

Na apresentação do Panorama Económico Mundial, a instituição que é liderada por Christine Lagarde traçou previsões para as mais sofisticadas economias do mundo – as mesmas que nesta semana estão reunidas em Davos, no Fórum Económico Mundial, e onde hoje se assinala o Portugal Day. Nessas estimativas, mostrou-se preocupada com o pós-2019-2020. Porquê? Porque muitos de nós já estão a viver acima das possibilidades, embalados pela reposição de rendimentos, pelo crescimento do produto interno bruto, pelo reforço do consumo interno, pelas exportações em alta e pelo turismo sempre a subir, numa curva ascendente que parece não ter fim, e ainda bem.

O problema é que “os ventos de cauda favoráveis” poderão ser apenas temporários ou, como diz o trovador, poderão ser só “o vento que passa”. E, se o vento passar e lhe perguntarmos “notícias do meu país” no pós-2019-2020, ele poderá dizer que são notícias de um Estado que continua com muito por reformar, com gorduras para cortar, com sistemas financeiros ainda com esqueletos para sair do armário e com graves problemas de financiamento da saúde e da segurança social, em parte por conta da baixíssima natalidade.

Por tudo isso e não só, o FMI avisa que “a crise financeira pode parecer ultrapassada, mas, sem uma ação imediata, a próxima recessão virá mais cedo” do que imaginamos e será “mais difícil de combater”.

Enquanto em relação à zona euro há mais reservas acerca do futuro económico, para os Estados Unidos – e apesar de o presidente ser ainda Donald Trump – há elogios a registar e vindos do FMI. Um deles prende-se com a agressiva política fiscal, sobretudo no que toca “aos incentivos temporários e excecionais para o investimento”, que poderão contribuir e muito para o crescimento. Vale a pena olhar para o que está a ser feito, pelo menos neste campo, e analisar como podemos e devemos ser mais competitivos nesta matéria.

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