Opinião

O calcanhar de Aquiles da Inteligência Artificial

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A PricewaterhouseCoopers (PwC) estima que a aplicação da tecnologia Robotic Process Automation (RPA) nos centros de serviços partilhados possa gerar retornos de investimento na ordem dos 200%. Uma investigação conduzida pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) indica que a colaboração entre os robôs e as pessoas aumenta a produtividade nos processos de produção em 85% quando comparado com o trabalho em separado.

O McKinsey Global Institute afirma que 45% do tempo dos trabalhadores poderia automatizar-se através da adaptação das tecnologias atuais. Segundo o Fórum Mundial Económico haverá até 2024 mais tarefas executadas por máquinas do que pelos seres humanos. A consultora Loup Ventures prevê que em 2025 os cobots (robôs colaborativos) terão um volume de negócios de 13 mil milhões de dólares. A CIP – Confederação Empresarial de Portugal, a Mckinsey e a Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa – Nova SBE projetam que até 2030, num estudo recentemente tornado público, a automação torne desnecessários 1,1 milhões de empregos no nosso país.

Ora, e mais do que pintar um futuro de negro onde supostamente seríamos governados pela implacável Inteligência Artificial (AI), será hora de rever, normalizar e melhorar todos os processos. Porquanto os benefícios da robótica extravasam em muito a redução de custos: aumentam paralelamente a rastreabilidade, a qualidade e a compliance. Todavia, nem a possibilidade dos cobots trabalharem 24 horas/dia, sem necessidades de manutenção durante cinco anos e com potencial (i)limitado de eficiência, elimina a premência do fator humano, da criatividade e da ética.

Pois a pró-sociabilidade, característica inata dos indivíduos que consiste em ajudar os outros, dificilmente será apreendida pela Inteligência Artificial. Confiança, segurança e boas práticas serão outras premissas garantidas pela humanidade nesse mundo de carros autónomos, moedas virtuais, viagens galácticas, economia partilhada, cidades inteligentes, reconhecimento biométrico, realidade aumentada ou Computer Assisted Diagnosis. Provavelmente as razões para que 84% dos CEO portugueses acreditem que a Inteligência Artificial criará mais empregos do que aqueles que destruirá (Global CEO Outlook – KPMG).

Urge, no entanto, um passo prévio para usarmos o potencial máximo da Inteligência Artificial: será necessário que Estado, instituições e empresas concluam o obrigatório paradigma de transformação digital. Nesse pressuposto, é premente apostar na IoT (Internet das Coisas), na informatização de processos, na qualificação de recursos humanos, nas sinergias entre escolas, universidades e politécnicos, na interatividade sistema científico versus universo empresarial, e na atentada promoção dos digital innovation hubs, nos laboratórios colaborativos e nos sistemas de interface, etc. A receita infalível para alcançar o Santo Graal organizacional: eficiência versus produtividade.

* Presidente da ANETIE

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