Opinião de Hugo Silva

A procura e o investimento no país diminuíram com os números da pandemia?

2. Praia Amorosa (Viana do Castelo)

São poucos os setores que não se viram afetados com os números da pandemia. O mercado imobiliário não é diferente, tendo em conta que, para o bem e para o mal, está a ser atingido pelos números da pandemia.

Para tentar fazer uma análise mais efetiva do que se passa na atualidade e, talvez do que iremos passar, sou obrigado a fazer uma pequena retrospetiva do como estava o mercado de investimento estrangeiro no país.

No ano de 2012, a crise financeira estava ao rubro. Tudo à nossa volta era uma metáfora para apertarmos o cinto e quase todo o povo português teve de fazer escolhas difíceis. A crise era violenta, os bancos não tinham capital para financiar a economia e, para financiar a habitação, a sua grande preocupação era “transformar tijolo em dinheiro” – esta expressão foi-me dita por alguns gestores de desinvestimento. No decurso desse ano, o governo da altura introduziu os famosos “Golden Visa”. Foi, sem dúvida, a porta aberta para que capital e investimento estrangeiro viesse para Portugal de forma rápida.

Em simultâneo, começou a corrida ao Turismo em Portugal.

Portugal tem aquilo que poucos países têm no mundo: “sol e Praia”, ao que eu acrescento “segurança”. Portugal é um dos países mais “cool” do mundo, segundo alguma imprensa internacional. Ora, se temos muitos turistas necessitamos de quê? Imobiliário. Curioso, não é? O turismo que trouxe tantos estrangeiros precisar de imobiliário, e começamos a ver aparecer alojamento local, hotéis, pensões, turismo rural etc… Por todos os cantos deste Pais.

Lisboa, Porto e Algarve a usufruírem de uma remodelação total dos seus imóveis, com muito pouco ou sem investimento do Estado. Se hoje temos um parque imobiliário muito mais moderno e cidades cada vez mais remodeladas, temos de agradecer a este investimento. Investimento chines, francês, brasileiro, americano, inglês, holandês, apaixonados por este País.

E eis que aparece algo que muda as nossas vidas, um tal de “corona”, que nos vem abalar tudo aquilo que já dávamos como garantido! Parou tudo: viagens, reuniões, parcerias … mas será que o apetite pelo nosso querido Portugal parou?

Atualmente, eu diria claramente Não – na minha perspetiva, e após muita troca de opinião com profissionais na área do imobiliário. O que parou, na realidade, foi a possibilidade de visitar, e objetivamente concluir negócios, mas o interesse por Portugal continua a manter-se extraordinariamente ativo – diria mesmo mais ativo como nunca. Isto, porque outros mercados imergentes tiveram tempo para ver onde seria bom investir. E nós, neste cantinho, se não deitarmos tudo a perder com jogadas privadas ou públicas, continuaremos a ter “sol, praia e Segurança”, e isso continua a ser algo que não tem preço!

Nesta fase do mercado, continuamos a assistir a incursões de investidores dos USA, Brasileiros, Ingleses, Franceses, Chineses e, por incrível que parece, dos países nórdicos. Estas incursões por agora são exploratórias, análises de mercado. Estes investidores falam sempre em dezenas de milhões de euros, seja para investir no mercado de arrendamento, seja na requalificação de prédios, construção de prédios, ou hotelaria diversa. Ou melhor ainda, comprar habitações de luxo e mudar a sua residência para Portugal. Usando aquela velha máxima “se não os consegues vencer, junta-te a eles”. E nós que alternativa temos, que não seja garantir riqueza para o país atraindo investimento estrangeiro?

É claro que, no decorrer da pandemia e proibidas as viagens, estes investidores não efetivaram as aquisições, os números de vendas diminuíram quase a zero, mas é verdade também de que a oportunidade está ali ao virar da esquina. Nas últimas semanas, as chamadas telefónicas sucedem-se com clientes diretos ou com colegas de profissão que têm clientes estrangeiros a querer investir em Portugal.

Nós estamos a sofrer, o mercado vai com toda a certeza ressentir-se, mas devemos olhar com muita seriedade para o setor imobiliário, pois não nos podemos esquecer que, em 2012, foi este setor um dos enormes motores para a nossa recuperação económica. Acredito que num curto espaço de tempo iremos voltar a ter um mercado dinâmico e em crescimento.

Os estrangeiros querem, será que nós queremos?

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