Procura-se plano para desconfinamento sério

Reação e medo. É assim que se tem gerido o país ao sabor da pandemia. Não há planeamento, não há medidas que demonstrem que houve aprendizagem - os casos dos computadores para os miúdos, cujo contrato foi assinado só em dezembro, ou do pessoal médico contratado à pressão quando os hospitais já rebentavam pelas costuras são bem representativos disso.

Se o vírus é novo e as suas consequências eram imprevisíveis, seria de esperar que um ano de convivência com a covid tivesse permitido que, por esta altura, se conseguisse fazer algum planeamento, em vez de se continuar o malabarismo entre o que é inaceitável para o Presidente ou os especialistas e o que é imperdoável para os eleitores. Abriu-se o Natal com medo da fatura política e isso teve consequências brutais - na doença e na economia -, agora paralisa-se Portugal com medo de avançar datas que a covid não permita cumprir.

Ao fim de praticamente um ano de confinamento, de liberdades coartadas, de proibições tolas como a de vender livros, brinquedos ou água ao postigo, é fundamental dar uma perspetiva do horizonte que temos pela frente. Era possível e desejável apresentar já um prazo real do tempo que ainda temos de viver nesta anormalidade - falar em novo normal é apenas ridículo quando o que está em causa é ficarmos presos em casa, sem contacto humano, à distância dos nossos mais velhos, da família e dos amigos, não podermos abrir as portas das empresas, ver trabalho e lazer vedados (ainda que seja necessário em dados momentos para controlar o vírus).

Se não é aconselhável fazer planos agarrados a datas, como fez o governo britânico, será possível ao menos avançar com parâmetros definidos por casos de infeção, pressão sobre os cuidados intensivos e outros padrões qualitativos que permitam ao país interpretar e antecipar o momento do desconfinamento. Que permitam gerir as tão necessárias expectativas e dar tempo ao tecido económico para preparar a reabertura e um horizonte de fim de castigo aos portugueses. Quanto mais cedo, melhor.

O que era dispensável era ter, ao fim de 12 estados de emergência, o país parado para ouvir que tudo ficará igual e talvez daqui a mais 15 dias haja um plano para mostrar.

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