Opinião: António Saraiva

Progressos na área do financiamento

cartao credito

O problema do financiamento, que tem condicionado fortemente a evolução do investimento empresarial, está, gradualmente, a dar sinais de melhorias.

O mais recente boletim estatístico do Banco de Portugal trouxe-nos um dado que, tendo passado desapercebido, vale a pena assinalar, quanto mais não seja pelo seu simbolismo:

Pela primeira vez desde maio de 2011, depois de 87 meses consecutivos em queda, o stock de crédito interno às sociedades não financeiras teve, em setembro, uma evolução homóloga positiva.

Para este resultado terá contribuído alguma recuperação dos empréstimos bancários concedidos à agricultura e aos setores ligados ao turismo, recuperação essa que, nos últimos meses, se alargou às empresas industriais. A retoma do crédito a estas atividades compensa agora a queda que a generalidade dos restantes setores continuam a registar.

Temos, assim, uma tendência para uma reorientação mais expressiva do crédito bancário para os setores produtores de bens e serviços transacionáveis, contrariando a evolução a que assistimos durante longos anos.

Foram também conhecidos na semana passada alguns dados que revelam alguma melhoria na saúde financeira das empresas portuguesas em 2017: maior rentabilidade dos capitais próprios, aumento da autonomia financeira, redução do endividamento e do custo da dívida, indicadores de risco um pouco menos preocupantes.

Ao mesmo tempo, o rácio do crédito em incumprimento das empresas continua a diminuir: em outubro situou-se em 11,6% (menos 3,2 pontos percentuais do que há um ano).

Em suma, o problema do financiamento, que tem condicionado fortemente a evolução do investimento empresarial, está, gradualmente, a dar sinais de melhorias. Contudo, está longe de estar resolvido. O longo caminho para que as empresas portuguesas possam competir nos mercados mundiais com condições de acesso ao financiamento equiparáveis às dos seus concorrentes tem de continuar a ser trilhado.

Espero, por isso, que estes resultados positivos não sejam motivo para uma menor aposta em medidas que promovam a capitalização das empresas.

Tenho, a este respeito, insistido na necessidade de um novo fôlego para o Programa Capitalizar, com particular ambição para a sua dimensão financeira, que é onde encontramos mais medidas por executar, algumas das quais particularmente importantes para a criação de novas fontes de financiamento e capitalização das empresas.

Também na área da fiscalidade, falta ambição nas medidas dirigidas ao estímulo ao investimento com base em capitais próprios.

Os resultados que foram agora conhecidos devem servir de estímulo, não de justificação para a complacência.

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