Projetar o futuro, sem esquecer o presente

Andamos extremamente preocupados e ocupados com o foco no curto prazo, diria no imediato. Nem podia ser de outra forma, face à estratégia que é necessário adotar, dia a dia, para enfrentar os impactos negativos da pandemia.

Deixamos passar ao lado outros assuntos, cuja natureza é ancorada numa estratégia de médio e longo prazos. Refiro-me à recente aprovação e publicação em Diário da República da Estratégia Portugal 2030, bem como dos princípios orientadores do novo Acordo de Parceira e estrutura operacional da Política de Coesão 2021-2027.

A enorme importância que o assunto merece não teve a equivalente correspondência no debate público, "abafado" pelas preocupações da evolução da pandemia e expectativa das medidas restritivas do estado de emergência.

A Estratégia Portugal 2030, estruturada nas suas quatro agendas - 1) As pessoas primeiro: um melhor equilíbrio demográfico, maior inclusão, menos desigualdade; 2) Digitalização, inovação e qualificações como motores do desenvolvimento; 3) Transição climática e sustentabilidade dos recursos; e 4) Um país competitivo externamente e coeso internamente -, está alinhada com os desígnios que tenho vindo a defender para o país.

Importa assegurar a rápida aplicação dos Fundos, a simplificação na sua implementação e um maior foco dos apoios ao setor privado, fundamentalmente às empresas, em detrimento da concentração no setor público. Importa relevar o papel e envolvimento das Associações Empresariais, com grande proximidade ao tecido empresarial e, por isso, com melhor compreensão das suas reais necessidades, potenciando a boa execução dos Fundos. Olhe-se para o bom exemplo do modelo de gestão do Programa de Formação Ação PME. No novo período de programação, a figura de Organismo Intermédio deve ser replicada a outras áreas.

Voltando ao início, é legítima a preocupação pelo imediato. O médio e longo prazos só se atingem se conseguirmos vencer os problemas de curtíssimo prazo que a pandemia acentuou.

Ultrapassar esta fase difícil exige, sem hesitações, um forte apoio das políticas públicas à capacidade de sobrevivência das empresas.

Se não conseguirem sobreviver no curto prazo, se não tivermos capacidade produtiva, dificilmente conseguiremos responder aos desafios estruturais do país que, muito bem, são definidos nas agendas da Estratégia Portugal 2030.

Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP)

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