PRR: uma "bazuca" digital para PME?

Com a chegada das primeiras tranches do Plano de Resiliência e Recuperação (PRR), chegam também as dúvidas sobre a aplicação dos fundos, inclusive os 2.460 milhões de euros previstos para a transição digital. Até 2026, a expectativa é que o plano venha permitir recuperarmos algum do atraso em matéria de transformação digital, na qual temos ficado atrás quando comparados com outras economias da Europa. Apesar deste contar com três componentes, entre eles a transformação digital, a resiliência e a sustentabilidade, irei focar-me apenas no primeiro.

Percorrendo o plano na vertente da transformação digital passo a passo, percebemos que é ambicioso, mas que aponta para metas que impactam a nossa competitividade atual e futura. O primeiro objetivo do PRR, nesta componente, é a capacitação de pessoas em competências digitais - no fundo, a preparação de uma sociedade mais digitalizada, por via de formação que permita elevar os níveis de literacia. Com uma procura crescente por profissionais competentes nos processos e ferramentas digitais, é cada vez mais urgente trabalharmos no sentido da inclusão.

Numa segunda etapa do plano na vertente digital, o PRR português vai tentar encurtar a distância na corrida das tendências do mercado online. Trata-se da fase da transição digital, que visa permitir uma vantagem competitiva para as PME ao automatizar processos e relações com stakeholders, ao mesmo tempo que fornece uma visão global, integrada e em tempo real dos negócios.

O desafio está lançado: até 2030, os Estados-membros da União Europeia comprometem-se com a transformação das suas economias, tendo em vista o alcance de uma "década digital" mais sustentável e centrada nas pessoas. Significa isto que, nos próximos anos, as empresas vão ser desafiadas a aderir a processos de catalisação tecnológica, para atingirem a etapa seguinte da digitalização: a desmaterialização dos processos de gestão de forma segura. Com o aumento progressivo da migração de dados para o ciberespaço, torna-se essencial garantir que são mantidos seguros, assim como às empresas que os gerem, e em cumprimento da regulamentação existente.

Escusado será dizer que nenhuma das fases previstas pelo PRR conseguirá gerar os resultados esperados sem um conceito unificador por trás e, a meu ver, esse conceito é óbvio: sustentabilidade. Se pensarmos que uma grande parte dos consumidores atribui um papel de responsabilidade sobre questões ambientais a empresas, entre elas, PME, percebemos o importante que é trabalhar na descarbonização das economias e na promoção da competitividade entre empresas de forma sustentável - o digital é o caminho para isso mesmo.

Estou, como muitos, a acompanhar os desenvolvimentos do PRR com expectativa. Quando as medidas de apoio aos objetivos digitais representam 22% do total do plano e 12 das 20 componentes têm contributo direto na meta digital, a "pressão" existe, mas deve ser vista como um incentivo. A adoção de uma cultura de inovação, o reforço do ecossistema de empreendedorismo nacional e a incorporação de tecnologias disruptivas nas propostas de valor das empresas vão ser fundamentais para o processo seguinte: a navegação no mundo pós-digital.

António Alegre, CEO da Páginas Amarelas

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de