Qual é a profissão do futuro?

Muitos jovens gostariam de saber a resposta antes de investirem anos num curso superior e numa carreira que esperam lhes traga satisfação pessoal mas também uma vida confortável. Se as paixões e talentos de cada um não são discutíveis, já o potencial de diferentes cursos em gerar rendimentos futuros pode ser analisado.

Olhando para os últimos 30 anos, é claro para o jovem que gosta de ciências sociais, mas estava indeciso entre antropologia, sociologia ou economia, que a última escolha era ganhadora. Apesar da explosão de cursos de economia, a sua empregabilidade continua elevada e os alunos dos melhores cursos têm salários elevados. Olhando para as engenharias, a especialização em eletrotecnia ou programação garantiu sucesso profissional.

O economista David Autor já há muitos anos documenta que a grande tendência desde 1980 é para a perda de rendimento de quem desempenha “tarefas de rotina”. Estas ocupações caracterizam-se por exigirem competências intermédias e requererem processos repetitivos que seguem regras explícitas, como por exemplo os contabilistas ou as secretárias. Porque estas ocupações foram facilmente automatizadas, as pessoas foram substituídas por computadores, e os empregos e salários caíram. Por outro lado, as tarefas que não eram facilmente “rotinizadas”, quer as de especialização elevada como os médicos ou gestores, quer as que exigem pouca escolaridade, como os cabeleireiros ou pessoal de limpeza, têm visto os seus rendimentos aumentar.

Qual será a nova tendência no futuro? O economista David Denning recentemente propôs uma hipótese intrigante. Com os progressos na inteligência artificial, os computadores começam a ser capazes de desempenhar tarefas mais avançadas e menos de rotina. Nas notícias estão os carros sem condutor da Google, que colocariam em risco a profissão de motorista. Mais extraordinário é o progresso na radiologia, em que os computadores obtém um desempenho cada vez mais próximo do de um médico com anos de treino e experiência.

No que os computadores ainda parecem longe de substituir os homens é nas tarefas sociais que exigem interacção humana. A capacidade de lidar com outra pessoa, reagir às pistas do seu comportamento, ou pôr-se nos pés do outro, exige uma espécie de conhecimento tácito que é difícil de exprimir em regras. O filósofo Michael Polanyi dizia que “nós sabemos mais do que conseguimos dizer” e sem exprimir este conhecimento não podemos programá-lo. Como o filme “Ex Machina” retratou bem este ano, ainda é um sonho criar uma máquina que passe o teste de Turing, sendo capaz de ter uma conversa com um humano sem que este perceba que está a falar com uma máquina.

Denning mostra que, desde 2000, já se vê o que parece ser um aumento relativo dos salários nas profissões que exigem mais competências sociais. Se ele tiver razão, serão estas as profissões com melhor futuro, aquelas que os computadores não conseguem substituir.

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