Opinião

Quando tudo pára, o digital avança e os negócios adaptam-se

Bernardo Salvador Marques, Sócio Fundador da Boost Your Digital
Bernardo Salvador Marques, Sócio Fundador da Boost Your Digital

A adoção do digital nas nossas vidas tem vindo a acontecer cada vez mais rápido. Tal como a evolução diária do vírus nos últimos meses, todos os anos a taxa de crescimento do envolvimento dos utilizadores com as plataformas digitais supera a do ano anterior. O que muitos não sabem é que, em apenas oito semanas, saltámos cinco anos em adoção do digital.

Segundo o mais recente estudo da McKinsey sobre o comportamento do consumidor durante a pandemia, 61% dos inquiridos fez compras de mercearia online durante o confinamento, sendo que, mais de metade nunca o tinha feito. O mais importante, é que este comportamento, durante esse momento de maior necessidade, derrubou muitas barreiras que, de outra forma, levariam uma geração a cair.

A rápida adaptação dos negócios para responder às dificuldades e necessidades, o teletrabalho (que forçou muitas pessoas a digitalizarem-se para poderem trabalhar) e a utilização da internet como principal fonte de entretenimento em casa foram os 3 eixos centrais desta revolução.

De um dia para o outro o país fechou e muitos empresários foram confrontados com a necessidade de se adaptarem à nova realidade ou fecharem definitivamente as portas. Costuma-se dizer que quando uma porta se fecha, abre-se uma janela e no setor dos negócios, abriu-se a janela do mundo.

Desde março que testemunhámos e/ou apoiámos centenas de empresas, de todos os setores, a reestruturarem os seus negócios em função da nova realidade, sobretudo no que toca à digitalização da distribuição e comunicação dos seus produtos e serviços.

Presenciámos, por exemplo, distribuidores, que desde sempre apenas intermediaram produtores e restauração (pelo que nunca tiveram grande necessidade de comunicar ativamente online, muito menos distribuir), a criarem marcas e a lançarem-se, em menos de duas semanas, na venda direta dos seus produtos ao consumidor final. Um talhante que nunca tinha sequer comprado online, a criar, pelas próprias mãos, uma loja online em Shoppify, e a promovê-la via Facebook Ads. Uma vendedora de fruta da praça que, sem nunca ter tido um site sequer, usou o WhatsApp e o Facebook para divulgar as suas tabelas de preços e recorreu ao MB WAY como a principal forma de pagamento. Esse mesmo MB WAY que, de um dia para o outro, teve de adaptar toda a sua comunicação em torno dos pagamentos com o telefone, de forma a ajudar, sobretudo “late adopters”, em como deveriam usar este serviço, mais higiénico e seguro, nas suas compras diárias. Um gigante mundial de cosmética em farmácia que aproveitou o momento para, finalmente, dar uma resposta digital à distribuição dos seus produtos. Uma das empresas com mais colaboradores em Portugal que, em dias, teve mudar todo o seu processo de recrutamento e acelerar a migração das suas equipas para um “Cloud Campus”, que já vinha a ser desenvolvido há anos, tendo de concretizá-lo em apenas alguns dias.

De todos, o setor que sentimos uma maior mudança foi mesmo o da restauração. Fecharam-se as portas, mas muitos conseguiram compensar (e alguns mesmo superar) a faturação nula que tiveram offline, com as entregas ao domicílio.

Podia continuar a enumerar exemplos, mas a verdade é que quase todos os nossos clientes tiveram que, de uma forma ou de outra, se adaptar à nova realidade, e o ponto comum dessa adaptação foi o digital.

Nos casos mais dramáticos, em que os negócios fecharam atividade durante 2/3 meses, alguns optaram por suspender (ou não tiveram mesmo outra hipótese). No entanto, a grande maioria dos que trabalhamos, ganhou coragem, encontrou recursos e apoio onde nunca imaginaria, e acreditou que seria uma boa oportunidade para ganhar vantagem competitiva face à concorrência.

Partilhámos o risco, definindo novos modelos de colaboração, e, em conjunto, desenhámos novas abordagens estratégicas que permitiram um regresso em força depois do confinamento, já muitos metros à frente dos outros players (também eles igualmente afetados pela pandemia).

Juntos provámos que quando tudo pára, tudo volta a avançar e os negócios que conseguirem superar esta dura fase da sua história, vão, na sua maioria, sair mais fortes do que nunca. Mas, é necessário ter consciência de que esse digital que os ajudou vai evoluir a um ritmo alucinante e que, pós-pandemia, quem conseguir acompanhar esse ritmo é quem vai continuar a prosperar nos seus negócios.

* Bernardo Salvador Marques, Sócio Fundador da Boost Your Digital

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