Opinião

Quanto vale a marca Portugal?

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Segundo um estudo recente da Brand Finance, a marca Portugal vale cerca de 160 mil milhões de euros, o que a coloca na 48.ª posição no ranking mundial. Este valor decorre fundamentalmente da imagem e credibilidade externa do país.

Para isso concorrem vários fatores, a começar pela reputação dos nossos produtos nos mercados internacionais. Não menos importante é a imagem dos portugueses no exterior, não só em termos do nível de educação e competências mas também de abertura e tolerância – atributos particularmente relevantes numa época como a que vivemos.

Em terceiro lugar, o valor da marca decorre da qualidade da governação, pública e privada, designadamente no que se refere ao rigor, justiça social e comprometimento com causas como as migrações e o aquecimento global. Em quarto lugar, depende da cultura do país, quer numa perspetiva passada – a nossa história – quer nas suas diversas manifestações contemporâneas, mormente ao nível das artes. E, por fim, dos recursos que possuímos, tanto endógenos como infraestruturais, bem como da capacidade para cumprirmos as obrigações com o estrangeiro.

O que é que isto tem que ver consigo, caro leitor? Tudo, pois afeta não apenas a sua qualidade de vida como também aquilo que o país espera de si. Com efeito, a marca país tem um impacto na valorização das exportações, na atração de investimento, talento e turistas, e ainda na eficácia das ações diplomáticas. Desta forma, quanto maior for o valor da marca Portugal, maior será a competitividade da nossa economia e, consequentemente, a capacidade de geração de riqueza.

Mas também, caro leitor, o afeta de outra forma. Porque a questão que se coloca é: a quem compete valorizar a marca Portugal? É ao governo, à AICEP? Sem menosprezar o papel destas entidades, a verdade é que o valor da marca país depende daquilo que todos nós fizermos.

Sei que na silly season não é muito agradável falar nisto, mas trata-se na realidade de um desafio que se coloca a todos. Aos governantes, aos empresários, aos trabalhadores, mas também, e acima de tudo, aos jovens que ainda estudam, pois é com eles que o país conta no futuro.

Professor da Faculdade de Economia do Porto

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