opinião: Joana Petiz

Que estragos faz o preconceito ideológico

O primeiro-ministro, António Costa (C), ladeado pela ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Mariana Vieira da Silva (E), pelo secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro (2E), pelo secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias (2D), e pelo ministro das Finanças, Mário Centeno (D), intervém durante o debate quinzenal na Assembleia da República, em Lisboa, 13 de maio de 2019. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA
O primeiro-ministro, António Costa (C), ladeado pela ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Mariana Vieira da Silva (E), pelo secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro (2E), pelo secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias (2D), e pelo ministro das Finanças, Mário Centeno (D), intervém durante o debate quinzenal na Assembleia da República, em Lisboa, 13 de maio de 2019. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

O preconceito tem piorado a par dos péssimos episódios e das estatísticas cada vez mais negras.

Só um olhar de longo prazo e sem preconceitos ideológicos, em que todos os intervenientes unam esforços para o bem comum que é a garantia de qualidade e acesso de todos, pode salvar a saúde. A afirmação do presidente do Health Cluster Portugal, Salvador de Mello, põe o dedo numa ferida antiga e que nos tempos mais recentes tem sido remexida sem contemplações.

O estudo em que a OCDE olha para a prestação dos governos europeus, divulgado nesta semana, revela que Portugal é dos países em que mais se desinvestiu em saúde no último ano. Segundo o Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC), nos últimos quatro anos – de expansão económica tão apregoada -, o número de pessoas à espera de cirurgias duplicou. Há greves de enfermeiros, de médicos, de pessoal administrativos da saúde quase todos os meses. Há urgências pediátricas fechadas porque não têm médicos para as garantir. E o governo que diz? Numa versão simplista, que é preciso acabar com subsistemas, anular parcerias com o privado e as instituições sociais, pôr fim a alternativas que não sejam exclusivamente do serviço público. Porquê? Porque o governo e as esquerdas que ainda lhe garantem a estabilidade parlamentar são ideologicamente contra essas alternativas, independentemente da comprovada eficácia que possam ter essas soluções.

O problema é sobretudo mas não exclusivo das esquerdas – a verdade é que os representantes eleitos têm considerado mais importante destacar as diferenças que têm uns dos outros do que empenhar-se numa solução que melhore o estado da saúde para todos. Mas o preconceito tem piorado a par dos péssimos episódios e das estatísticas cada vez mais negras.

Se o estado da saúde é exemplo do pior que se faz, do trabalho vêm sinais mais animadores. O reconhecimento de Ana Mendes Godinho de que é preciso subir salários mas para isso há que dar condições de crescimento às empresas, em vez de penalizar a sua atividade, o sucesso e os bons resultados – prática que parece constituir desporto nacional -, é um bom sinal de uma mudança de mentalidades a que muito tem ajudado Siza Vieira. Pudesse o superministro chegar a mais áreas…

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