Opinião: Rosália Amorim

Quem diria que Rio poderia dizer ámen à Robles!

Rui Rio. Fotografia: Filipe Amorim / Global Imagens
Rui Rio. Fotografia: Filipe Amorim / Global Imagens

O livre mercado é, à partida, uma bandeira do centro direita. Por isso, alguns players ficaram surpreendidos quando, ontem, o presidente do PSD considerou que taxa proposta pelo Bloco de Esquerda para o imobiliário, a que foi dada o nome de taxa Robles, “não é assim uma coisa tão disparatada”.

Rui Rio afirmou que não rejeita “liminarmente” a taxa especial proposta pelo BE em relação a negócios no setor do imobiliário. “Com isto não estou a dizer que somos favoráveis aquilo que possa vir a ser proposto pelo Bloco de Esquerda, agora não rejeito liminarmente, não é assim uma coisa tão disparatada, porque, efetivamente, uma coisa é comprarmos e mantermos durante ‘x’ tempo e outra coisa é andarmos a comprar e a vender todos os dias só para gerar uma mais-valia meramente artificial”, sublinhou. E a pergunta que muitos já fazem é: “e quem define o tal ‘x tempo’ e ‘que tempo é esse’?”

Rui Rio, que falava aos jornalistas no final de uma reunião com o bastonário da Ordem dos Psicólogos, no Porto, considerou que “o mercado tem de fazer o seu trabalho, mas há momentos em que se pode tentar ajustar no sentido de se tentar evitar os pesadíssimos custos sociais” que a livre oferta e procura pode produzir. Alguns barões do centro-direita já se indignaram com tais declarações.

“Nem eu posso dizer que a ideia é disparatada porque vem da esquerda e se viesse da direita era menos disparatada. Não é assim que oriento os meus pensamentos”, sublinhou. Rui Rio comparou os negócios com o imobiliário com o que se passa com as transações da bolsa de valores, onde o imposto que taxa as mais-valias é diferente consoante se tenha as ações por um ano ou apenas dois dias. “Se passar a lógica da bolsa para o imobiliário é óbvio que vale a pensa pensar nisso. Ou seja, o mercado ajusta tudo, isso é verdade, mas ajusta tudo com preços sociais brutais muitas vezes”. Defendeu, portanto, que o Estado “às vezes deve intervir para ajudar a regular o mercado”, que “segundo as teses liberais ajusta tudo, mas com custos sociais brutais”. E a pergunta que muitos já fazem é: “e quem define o tal ‘às vezes’?”

Mais à esquerda, ontem o líder parlamentar do PS, Carlos César, manifestou-se contra a taxa especial proposta pelo Bloco de Esquerda em relação a negócios no setor do imobiliário, argumentando que a “especulação” combate-se com aumento da oferta de habitação acessível. E disse que “não há qualquer intenção do Grupo Parlamentar do PS aprovar a proposta do Bloco de Esquerda”. “Pelo contrário, a especulação não se combate com uma taxa que é uma repetição do imposto de mais-valias que já existe.”

Nem sempre as ideologias são claras, mas a economia é…

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