Ranking da competitividade expõe fragilidades

Importa assegurar um enquadramento que incentive o investimento e que potencie a competitividade das nossas empresas nos mercados internacionais

Na passada semana o World Economic Forum divulgou o seu relatório de competitividade de 2019, onde é feita a habitual comparação entre países num vasto conjunto de indicadores, estruturados em 12 pilares.

No ranking de competitividade, Portugal manteve a 34.ª posição em 141 países, tendo registado uma melhoria muito ligeira na sua pontuação face a 2018.

Mais uma vez, este relatório internacional vem mostrar que Portugal continua a comparar muito mal em várias dimensões fundamentais para o bom funcionamento dos negócios, colocando sérios obstáculos à competitividade das empresas.

E aqui vale a pena olhar com particular atenção para algumas dessas dimensões. Naquilo que tem a ver com o pilar do Mercado de Trabalho, Portugal surge na 121.ª posição nas “Práticas de contratação e despedimento”, na 120.ª na “Mobilidade laboral interna”, na 115.ª na “Taxa de imposto sobre o trabalho”, na 98.ª na “Flexibilidade na determinação dos salários” e na 88.ª posição no “Alinhamento dos salários com a produtividade”.

No pilar das Instituições, realça-se a má posição do nosso país ao nível da “Eficiência do sistema legal na disputa de regulamentos” (113.ª posição) ou ainda dos “Encargos da regulação governamental” (96.ª).

Também no pilar do Sistema Financeiro, estamos em posições muito desfavoráveis, de que são exemplo a “Solidez dos bancos” (125.ª) e o “Rácio de capital dos bancos (123.ª), matérias com impacto nas condições de financiamento às empresas.

Na verdade, muitos destes constrangimentos são insistentemente reportados pelas empresas portuguesas.

Os poderes públicos devem prestar uma atenção redobrada a todas estas matérias (e a outras) que limitam ou que impedem acréscimos de produtividade e de competitividade, com consequências ao nível da trajetória de crescimento económico sustentável.

Importa assegurar um enquadramento que incentive o investimento e que potencie a competitividade das nossas empresas nos mercados internacionais.

Conhecida a composição do novo Governo, tenho fortes expectativas que o maior peso político atribuído à área da economia seja um bom sinal, contribuindo para melhorar a competitividade empresarial e, por essa via, aumentar a robustez da economia portuguesa face ao ciclo de abrandamento internacional, como avançam as mais recentes previsões do Fundo Monetário Internacional.

 

Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal

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