Opinião: Luís Miguel Ribeiro

Reanimar a economia

Fotografia: Rui Oliveira/Global Imagens
Fotografia: Rui Oliveira/Global Imagens

Com sucesso, a nossa indústria deu uma resposta imediata às necessidades emergentes do país, impedindo ainda uma maior destruição de riqueza

Tem-se refletido acerca da profundidade da recessão e, simultaneamente, da previsível trajetória de recuperação. A variável tempo continua a ser determinante, apontando-se para vários cenários que, em termos gráficos, poderão assumir distintas formas, como em “V” ou em “U”. As incertezas são demasiado elevadas quanto à mais provável configuração.

Certo é que em tão pouco tempo assistimos a uma destruição da riqueza e do emprego, com custos económicos e sociais nunca antes vistos.

Para Portugal, em que as maiores componentes do PIB são o consumo privado e as exportações de bens e serviços, que pesam 62% e 44%, respetivamente, com destaque para o turismo, é fácil perceber que a magnitude do impacto só pode ser muito severa. Avança-se para uma quebra do PIB superior a 20% neste trimestre.

Importa, o quanto antes, retomar a atividade provocada por este choque simétrico, evitando que revele caraterísticas assimétricas, em função das condições iniciais do país, penalizando os mais endividados, como Portugal.

A reação da Europa tardou e o apoio anunciado não é, de modo algum, em escala suficiente. A mutualização da dívida, que desejamos, acabou por não avançar, para já. No futuro, como podemos financiar a dívida criada para resposta à pandemia? As soluções não serão muitas: do lado da despesa pública, penalizar a componente menos rígida, como o investimento, e do lado da receita pressionar a carga fiscal.

Mais cedo do que tarde, as empresas serão chamadas a sustentar os efeitos negativos de uma crise relativamente à qual foram completamente alheias, o que é absolutamente indesejável.

Em conciliação com a vertente da saúde pública, o relançamento da economia terá de ser em diversas frentes, onde destaco o foco na reindustrialização do país. Multiplicam-se os exemplos da enorme capacidade de adaptação da nossa indústria, reorientando a sua produção para segmentos que jamais havia experimentado. Com sucesso, deu uma resposta imediata às necessidades emergentes do país, impedindo ainda uma maior destruição de riqueza. Os empresários e os trabalhadores portugueses (dentro e fora do país) continuam a dar provas do seu inigualável “ADN”, da sua enorme capacidade de resiliência perante situações muito difíceis.

Outro foco deve ser a (re)qualificação da população para o digital, já crucial antes desta pandemia é agora incontornável.

Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal

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