Recuperar não chega, Portugal precisa de mais

Em toda a Europa, os próximos anos serão fundamentais para a recuperação. Para Portugal, depois de duas décadas em que alternámos crises e crescimento anémico, o desafio é ainda mais relevante. A ambição está muito longe de ser apenas o regresso ao passado -- seria insuficiente. O objetivo é abrir um novo ciclo de desenvolvimento sustentado.

De facto, Portugal, mesmo antes da pandemia, já apresentava claros sinais de resistência ao crescimento, resistências que têm contribuído para que, teimosamente, não consigamos convergir com a União Europeia e, assim, ano após ano, acabamos suplantados por outros países no ranking europeu do PIB per capita.

Temos, por isso, de pensar na economia pós-pandemia. O país tem de assumir, de uma vez por todas, a necessidade de ganhar competitividade, prosseguir o desenvolvimento, ter mais e melhor investimento e emprego.

Não esquecemos as fragilidades e os constrangimentos que resultam do desafio ambiental, da evolução demográfica, do elevado endividamento ou do nível médio de formação, mas temos potencial e ambição para os ultrapassar. Este é o momento de, com todas as fragilidades e os constrangimentos que sentimos, com o enquadramento europeu que temos e com os desafios globais que identificamos, reagirmos e pormos de pé uma verdadeira estratégia de desenvolvimento.
• Uma estratégia com metas bem definidas em termos de crescimento, emprego, investimento e exportações; com uma nova geração de políticas públicas capazes de cumprir essas metas, e com os instrumentos necessários para a concretização dessas políticas.
• Uma estratégia com medidas de médio e longo prazos, dirigidas ao enorme esforço de investimento que a recuperação exige, à aposta na qualificação dos recursos humanos e sua adequação às necessidades do mercado de trabalho, a um ambiente de negócios mais favorável à atividade empresarial e ao melhor posicionamento de Portugal de modo a aproveitar as tendências de competitividade.
• Uma estratégia que exige a utilização eficaz e transparente dos recursos públicos e uma nova cultura de relacionamento com os agentes económicos, com valorização do papel da economia de mercado e da iniciativa privada.

Na próxima semana, a CIP irá divulgar um documento em que aponta precisamente as grandes linhas desta estratégia de crescimento e competitividade, apresentando propostas para os instrumentos ao serviço dessa estratégia.
Trata-se do fruto de uma ampla reflexão interna que traduz as preocupações e necessidades do tecido empresarial a que a Confederação dá voz, refletindo a diversidade setorial e regional e abarcando transversalmente micro, pequenas, médias e grandes empresas.

O ano de 2021 é a oportunidade para iniciar uma nova era de desenvolvimento. Sejamos inconformistas, não há tempo a perder.

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