Recuperar o estatuto de país fortemente inovador

A classificação de Portugal no grupo de países europeus "inovadores fortes" foi muito efémera. O European Innovation Scoreboard 2021, divulgado no início da semana, que mede e compara os desempenhos dos vários Estados-membros em matéria de inovação, mostra que rapidamente regressamos ao grupo de "inovadores moderados". Pior ainda, posicionamo-nos no penúltimo lugar deste grupo, somente acima da Grécia, rompendo com o que tem sido a trajetória de Portugal, onde invariavelmente fazíamos parte dos melhores "inovadores moderados".

É certo que os resultados desta nova edição do relatório são, em parte, influenciados pelas alterações metodológicas, com novos indicadores e as novas dimensões do duplo desafio da transição digital e climática. Contudo, o exercício de comparação continua a ser em termos relativos, face à média da União Europeia.

Nessa comparação relativa, subsistem diferenças substanciais, com os países nórdicos a manterem a tradicional posição de liderança. Apesar das ressalvas, os resultados sugerem que Portugal piorou mais do que os seus pares europeus nos indicadores de inovação e foi ultrapassado por vários países que registavam até 2020 um pior desempenho.

À semelhança da atitude empolgante que todos nós - setor público e privado - manifestamos quando Portugal foi classificado de inovador forte, que muito nos orgulhou, devemos agora mostrar preocupação e indignação por esta inflexão, que ninguém deseja. Importa refletir, no sentido de identificar os principais constrangimentos, e sobretudo agir, com vista a podermos rapidamente recuperar o estatuto de país fortemente inovador, que verdadeiramente soube a pouco!

O atraso relativo no desempenho inovador português continua muito associado aos impactos económicos, apesar de estarmos comparativamente bem na produção de conhecimento. Transformar o conhecimento em valor económico permanece, pois, um enorme desafio, que já sabíamos.

Por isso, são muito bem-vindas as "Agendas mobilizadoras para a inovação empresarial", do Plano de Recuperação e Resiliência. Se bem implementadas, poderão dar um contributo importante, com vista a estimular a criação de produtos e serviços diferenciadores e a alcançar a meta da intensidade exportadora para um patamar acima de 50%.

Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal

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