Renováveis criam três vezes mais emprego do que combustíveis fósseis

No mês em que o Acordo de Paris celebra cinco anos, vários atores das Energias Renováveis pedem o realinhamento das medidas de recuperação pós-pandemia com os objetivos definidos na assinatura do acordo.

Por cada milhão de euros investido em energias renováveis, são criados três vezes mais empregos, face àqueles que seriam criados com o mesmo milhão investido em combustíveis fósseis.

No mês em que se comemoram os cinco anos do Acordo de Paris, a EREF (European Renewable Energies Federation) e a IRENA Coalition for Action (International Renewable Energy Agency) lembram que os investimentos estrategicamente focados nas energias renováveis podem colocar o mundo no caminho certo, de forma a minimizar os impactos das alterações climáticas, garantindo ao mesmo tempo benefícios sociais e económicos.

As duas organizações, em conjunto com uma centena de players das energias renováveis de todo o mundo, exaltam por isso os governos a realinhar as medidas de recuperação pós-Covid, em linha com o Acordo de Paris e com o Pacto Ecológico Europeu.

Ao colocar a transição energética, baseada na utilização de energias renováveis, no centro da recuperação económica do pós-pandemia, os países podem promover a resiliência económica e contribuir para a causa climática em simultâneo. Na sequência da crise pandémica, os governos já demonstraram a capacidade de mobilizar esforços globalmente e acordar pacotes de investimento e financiamento sem precedentes, rumo à recuperação do desenvolvimento social e crescimento económico.

Se alguns países, como é o caso de Portugal, já tinham compromissos climáticos mais ambiciosos, muitos outros ainda precisam de tomar medidas de forma a assegurar uma recuperação verde.

Para cumprir as ambiciosas metas com que Portugal se comprometeu no Roteiro para Neutralidade Carbónica 2050 - dando cartas a nível global - é preciso continuar o caminho já iniciado, deixando também espaço à inovação. Só assim conseguiremos garantir menos 55 % de emissões; alcançar 47 % de energia renovável no consumo final, dos quais 80 % em eletricidade renovável; atingir níveis de eficiência energética de 35 % e garantir 5 % de hidrogénio verde no consumo final de energia.

É possível reduzir emissões enquanto se cria riqueza sem delapidar recursos naturais, como está plasmado na estratégia europeia de economia circular. O combate às alterações climáticas pode estar ao serviço da recuperação económica, de uma sociedade mais justa e de um território mais sustentável.

O Acordo de Paris tem como objetivo a descarbonização das economias mundiais de forma a limitar o aumento da temperatura média global a níveis abaixo dos 2 °C face aos níveis pré-industriais. Este acordo, ratificado por quase 200 países, determina ainda que se prossigam esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5 °C, reconhecendo que isso reduzirá significativamente os impactos das alterações climáticas, em linha com o Relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, apresentado em 2019.

Pedro Amaral Jorge, CEO da APREN

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