Respostas para um futuro incerto

Realiza-se esta semana na Exponor em Matosinhos mais uma edição do QSP Summit, esse evento de referência na área do Marketing e Management que há muito prestigia o nosso país a nível internacional. O reputado escritor e cronista Malcolm Gladwell, autor de livros de sucesso como Outliers, será a figura cartaz entre oradores internacionais e nacionais de referência que nos ajudarão a tentar encontrar respostas para um futuro incerto. Vivemos um tempo de recomeço e reinvenção e a inovação e tecnologia vão ser elementos centrais nesta agenda de futuro, um desafio onde a capacidade individual e coletiva das pessoas vai marcar a diferença. Vivemos tempos complexos e como sempre uma vez mais vai ser fundamental o imperativo estratégico da mudança para agendar uma base sustentada de competitividade para a economia e a sociedade portuguesa. O QSP Summit irá certamente dar um contributo importante nesta matéria.

Portugal tem que acreditar que há um momento depois de futuro e que a sociedade está preparada para os seus desafios depois desta grave crise que estamos a atravessar. Precisamos de saber recomeçar e reinventar a nossa aposta estratégica numa sociedade de confiança baseada na competência. A inovação e tecnologia não se fazem por decreto, antes impõem uma capacidade de mobilização dos talentos que fomos capacitando ao longo do tempo. Os conhecidos baixos índices de capital estratégico no nosso país e a ausência de mecanismos centrais de regulação positiva têm dificultado o processo de afirmação dos diferentes protagonistas deste processo. Independentemente da riqueza do acto de afirmação individual da criatividade, numa sociedade do conhecimento, importa de forma clara pôr em rede os diferentes atores e dimensioná-los à escala duma participação global imperativa nos nossos tempos. Vários oradores ao longo dos dias do QSP Summit irão de forma clara passar essa mensagem, num contexto aberto de confiança.

A consolidação deste processo de recomeço e reinvenção entre nós passa em grande medida pela efetiva responsabilidade nesse processo dos diferentes atores envolvidos - Estado, Universidade e Empresas. As empresas, em particular, têm que se tornar habitats de inovação e criatividade inteligente, capazes de liderar um processo de renovação da construção de um valor estratégico que terá que ser partilhado de forma justa pelas diferentes comunidades. É aliás esse exemplo de comunidade que ao longo destes anos - e em particular neste tempo pós pandemia - o QSP Summit tem sabido protagonizar, dinamizando uma agenda de reflexão e partilha participada sobre aquelas que devem de facto ser as prioridades na área da gestão e do marketing para uma economia diferente, onde as respostas têm que ser claras para criar competência e confiança para o futuro.

Malcolm Gladwell é claro quando nos diz que temos que fazer das ideias a chave da mudança. Precisamos dessa atitude em Portugal. A sociedade portuguesa encontra-se bloqueada e impõe-se um sentido de urgência na emancipação cívica do país. Por isso, em tempo de crise, o novo espaço público terá que ser capaz de responder de forma positiva aos desafios de uma sociedade civil ansiosa por respostas concretas aos desafios do futuro. Trata-se duma nova ambição, em que a aposta na participação e a valorização das competências, numa lógica colaborativa, têm que ser as chaves da diferença. Deveremos ser capazes de projetar novas ideias de competitividade. Está mais do que consolidada a mensagem da urgência da dimensão tecnológica na matriz de desenvolvimento nacional - um programa para a competitividade tem que forçar dinâmicas efetivas de aposta na tecnologia, seja ao nível da conceção de ideias novas de serviços e produtos, seja sobretudo ao nível da construção e participação ativa em redes colaborativas internacionais de criação de valor.

A mensagem de mudança é mais do que nunca actual entre nós. Recomeçar e reinventar é o caminho que temos pela frente no futuro que aí vem. Temos que saber legitimar um conjunto de atores que terão que ser capazes de ganhar estatuto de verdadeiro operador estratégico do desenvolvimento. Isso faz-se com convergência positiva e não por decreto. Importa por isso, mais do que nunca, estar atento e participar com o sentido da diferença. O QSP Summit dá mais uma vez o exemplo e dará sem dúvida um contributo de excelência para encontrar as respostas para um futuro incerto que temos pela frente.

(Nota: o autor escreve segundo o Antigo Acordo Ortográfico)

Francisco Jaime Quesado, Economista e Gestor - Especialista em Inovação e Competitividade

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