Opinião

Ride-hailing em Portugal: um futuro a correr sobre rodas?

David Ferreira da Silva
( Gustavo Bom / Global Imagens )
David Ferreira da Silva ( Gustavo Bom / Global Imagens )

Quando pensamos em mobilidade, percebemos que esta é uma das áreas que mais se tem transformado nos últimos anos. Ainda há muito pouco tempo atrás, seria difícil imaginar a possibilidade de controlar as deslocações unicamente através de uma aplicação móvel ou de existirem empresas de serviços de transporte que não possuem veículos. E, no entanto, já se torna difícil recordar como era o mundo antes do seu surgimento.

Ainda que as transformações tenham sido desde sempre um marco no setor da mobilidade, este parece ser um momento em que essas mudanças chegam de forma muito mais rápida e estrutural, alterando de forma profunda o funcionamento das cidades, e obrigando também a que estas evoluam mais rapidamente. O ride-hailing, que inicialmente era um serviço relativamente simples, é neste momento um serviço com um grande nível de complexidade, e prevê-se que continue a desenvolver-se ainda mais no futuro.

A forma como as pessoas se deslocam diariamente tem um grande impacto, não só na sua vida, como na vida da própria cidade, e essa é uma das razões pelas quais o setor da mobilidade está constantemente em transformação. Neste momento, são já notórias algumas das novas tendências que estão a nascer e a desenvolver-se nas cidades:

  • Customização das viagens de acordo com o perfil de cada utilizador

A principal vantagem de ter um carro próprio, além da pessoa poder deslocar-se para qualquer local em qualquer momento, é o facto de todo o ambiente estar totalmente adaptado à suas preferências. Desde poder selecionar a temperatura ideal ou o tipo de música, até necessidades básicas como a possibilidade de transportar uma cadeira de rodas, um bebé ou até mesmo um carro maior que permita transportar toda a família. Estes são aspetos cada vez mais valorizados pelos utilizadores e, como tal, as plataformas estão a transformar os seus serviços para que sejam o mais customizados possível.

  • Expansão do serviço para além das grandes áreas urbanas

A melhoria da acessibilidade é, sem dúvida, um dos grandes objetivos das plataformas de transporte, uma vez que permite aumentar o nível de autonomia das pessoas. Nesse sentido, uma das tendências a que se assiste é a expansão dos serviços de ride-hailing para regiões mais rurais, ajudando a colmatar o condicionamento da rede de transportes públicos nestas zonas e possibilitando mais comodidade e qualidade de vida a quem vivem e trabalha fora das grandes cidades.

  • Integração dos vários serviços de mobilidade

São já muitas as plataformas de transporte que começaram a integrar o serviço de ride-hailing com serviços de micromobilidade, tais como bicicletas ou trotinetes, ou até mesmo transportes públicos. No futuro, toda a experiência do utilizador será ainda mais simplificada, sendo a mobilidade que se adapta à necessidade de cada utilizador, e não o contrário. Este novo sistema irá possibilitar que o utilizador necessite apenas de introduzir o destino para onde se pretende deslocar, e a aplicação indicará qual o meio e o trajeto mais adequados para o fazer. Além disso, a integração destes serviços numa só plataforma irá potenciar ainda mais o surgimento de outro tipo de serviços, tais como entregas de comida ou encomendas, pela sinergia criada através das frotas de motoristas.

  • Crescimento da mobilidade verde

O aparecimento de mais opções de transporte sustentáveis, como as trotinetas ou bicicletas elétricas, o aumento do número de viagens partilhadas, através de serviços de ride-hailing ou car sharing, ou o incremento do número de carros em circulação mais sustentáveis e ecológicos, como os carros elétricos, híbridos ou GPL, são, sem dúvida, sinais de que o mundo está a mudar, bem como os estilos de vida. É fundamental que viver de forma mais ecológica, e o setor da mobilidade tem a responsabilidade de dar o melhor exemplo nesse sentido. O crescimento da mobilidade elétrica é um sinal muito positivo de que tanto o setor da mobilidade como as próprias cidades, estão cada vez mais preocupadas em evoluir de forma sustentável.

  • Segurança como fator crucial

A segurança é um aspeto que assume cada vez mais importância em qualquer indústria. Contudo, quando falamos em mobilidade, esta assume especial relevância, seja ao nível da segurança dos veículos, da confiança depositada nos motoristas, ou na proteção dos dados dos utilizadores. Como tal, os vários serviços de mobilidade, tal como o ride-hailing, têm de se adaptar para oferecer soluções cada vez mais seguras a todos os níveis. Atualmente, devido à situação de pandemia que se vive, e em que muitas pessoas começam a regressar aos locais de trabalho, existe ainda a necessidade adicional de criar medidas de segurança específicas que garantam a diminuição do risco de contágio, tanto para os utilizadores como para os motoristas.

Em suma, o futuro da mobilidade continua a ser algo que levanta ainda muitas questões e incertezas, principalmente num momento de crise mundial como o que vivemos atualmente. Segundo o relatório “Ride Hailing Global Market Report 2020-30: COVID-19 Growth and Change”, estima-se que o mercado de ride-hailing caia de 60,5 biliões de dólares em 2019 para 52,07 biliões em 2020, com uma taxa de crescimento anual de 13,88%. Contudo, apesar deste declínio devido à pandemia de Covid-19, espera-se também que o mercado recupere e atinja os 85,45 biliões de dólares em 2023, com uma taxa de crescimento de 19,79%. Os dados mostram assim que as plataformas de ride-hailing têm espaço para continuar a reinventar-se no futuro e oferecer serviços de qualidade e relevância para a sociedade.

David Ferreira da Silva, responsável da Bolt em Portugal

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