Opinião: Carlos Coelho

Saudades de Portugal

"Criar uma marca, gerir uma marca é como educar um filho."

Porque é que, quando se pede aos portugueses para referirem marcas nacionais de que gostem, a pasta dentífrica Couto surge em lugar de destaque?
Talvez porque andou na boca dos portugueses numa altura de grande escassez de marcas internacionais, o que lhe permitiu alcançar grandes níveis de notoriedade. Ou por ter apostado numa comunicação luso-africana inimitável, com um anúncio inesquecível, que lhe comprou um lugar vitalício na história da publicidade em Portugal. Ou porque tem um design que resistiu à erosão do tempo, com uma cromaticidade muito distintiva. Ou porque representa um sentimento de saudade de um passado onde se imagina, erradamente, que tudo seria mais genuíno e por isso melhor.

Yestermania não é moda, são mesmo saudades do colo do passado. Trata-se de um movimento cíclico das sociedades, (não é exclusivo de Portugal), que surge após guerras, revoluções ou crises de natureza económica, ambiental ou outras. Ao longo da história, assistimos à procura nas memórias utópicas do passado – no passado é que era – dos sentimentos de partilha e de pertença. A instabilidade social, económica e a procura de valores fundacionais constituem uma base real para a recuperação de marcas do passado que mantenham a sua memória viva nas mentes dos consumidores. Marcas históricas como a pasta Couto são ativos, muitas vezes adormecidos, que guardam um elevado potencial de contribuição para a marca de Portugal. Representam o acordar do orgulho do país para a importância de criarmos, divulgarmos e preservarmos marcas Portuguesas.

A crise foi uma boa desculpa para deixar morrer as nossas marcas, mas agora vivemos um momento único para a criação as marcas “couto” do futuro.
Para termos marcas centenárias temos de as criar todos os dias, temos de as cuidar todos os dias, temos de as divulgar todos os dias.

Criar uma marca, gerir uma marca é como educar um filho. As empresas familiares têm mostrado ser capazes de gerir melhor as suas marcas, numa perspetiva de perpetuidade, uma vez que se trata de prolongar os ativos familiares para as próximas gerações. Pois eu acredito, neste sentido familiar de gerir as marcas e na convicção de que o futuro vem sempre do passado e que nós somos um dos países do mundo que mais passado tem para dar ao futuro, desta grande família que é Portugal.

Presidente da Ivity Brand Corp e da Associação Portugal Genial

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