Saúde e Economia: faces da mesma moeda

Os números não enganam, a segunda onda - que todos previam e ninguém desejava - chegou.

O Governo reúne-se neste sábado, que marca o fim do prazo do Estado de Calamidade. No dia em que escrevi este artigo ainda não eram conhecidas as novas regras. Não é fácil gerir em alturas como esta. Mas não há dúvida que na decisão de novas medidas restritivas deve estar sempre a preocupação pelo difícil, mas necessário, equilíbrio entre as vertentes sanitária e económica, com a implementação de uma estratégia que evite o lockdown.

É verdade que já aprendemos muito, contudo, permanece um elevado desconhecimento sobre o vírus. No combate à infeção, ouvimos, com frequência, que andamos sempre a "correr atrás do prejuízo" e que tudo poderia ser melhor planeado, face à elevada probabilidade da ocorrência desta segunda vaga.

O que fazer?

Pelo mundo, assistimos a confinamentos parciais para estancar a propagação da infeção, que julgo ser a estratégia acertada e promotora do possível equilíbrio entre as vertentes sanitária e económica.

O mundo não pode voltar a confinar totalmente. As economias não aguentariam o lockdown, sobretudo as que apresentam maiores fragilidades estruturais, como a portuguesa.

Do conhecimento que capitalizámos desde o início da crise pandémica, sabemos que a luta contra o vírus depende muito do comportamento de cada um, no cumprimento de regras essenciais, que na verdade são só pequenos gestos (uso da máscara, higienização e algum distanciamento social), mas com enorme impacto na atividade económica.

A par do comportamento individual é necessário um esforço coletivo. As políticas públicas, se bem aplicadas, isto é, se dirigidas às prioridades mais prementes, são fundamentais para alcançar o equilíbrio da balança: entre Saúde e Economia.

Assegurar a continuidade e, mais do que isso, reforçar as medidas de apoio às empresas, investir nos transportes públicos, por forma a permitirem o distanciamento social, além dos investimentos na área da Saúde, são prioridades inequívocas.

São investimentos e não gastos, pois contribuirão para que a economia e o tecido empresarial consigam sobreviver com o mínimo de danos possíveis, evitando insolvências e eliminação de postos de trabalho.

De outra forma, os empresários, por mais resilientes que sejam, uma característica bem patente no caso português, terão dificuldade em manter empresas ativas e postos de trabalho.


Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP)

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de