Se a minha avó tivesse rodas...

Era assim uma daquelas parvoíces que os adolescentes trocavam entre si: "Se a minha avó tivesse rodas, era um autocarro".

Ontem, orgulhava-se Medina, com o mesmo moral: "Sem as medidas que tomámos na área fiscal, os portugueses pagariam hoje mais 27 cêntimos por litro de combustível do que estão a pagar." O que é tão verdadeiro - acreditando que as contas estão bem feitas, o que é sempre de ponderar, visto terem vindo do mesmo Excel de quem não contou com as variáveis todas e previu um efeito do corte no ISP superior ao que de facto poderia acontecer - quanto desprovido de sentido real.

Se o poder de compra dos portugueses fosse semelhante ao dos irlandeses, que estiveram nas mesmas crises do que nós mas souberam sair delas reforçados, o peso desse aumento seria muito menos doloroso. Se a carga fiscal sobre os nossos combustíveis fosse à partida menor, podiam estar a gastar muito menos. Se o modelo escolhido pelo governo tivesse sido o espanhol, não só os portugueses tinham maior vantagem como recebiam imediatamente essa poupança para gastar no que lhes fizesse falta, como comida, por exemplo. Se Medina tivesse optado por fazer uma correção ao nível dos rendimentos (IRS/IRC) ou alargada aos impostos indiretos (sobretudo IVA), se calhar os portugueses não se importavam de estar a pagar esses 27 cêntimos a mais porque ficavam, no fim de contas, com mais dinheiro para fazer face a todos os outros aumentos de preços.

O pior mesmo é a soberba com que nos tentam convencer diariamente que devíamos andar todos muito agradecidos a quem nos governa e vai fazendo o favor de distribuir esmolas com o dinheiro que tira do bolso dos contribuintes.

Os portugueses não querem esmolas, querem poder trabalhar e não ter de entregar metade do que vale o seu esforço diário a um Estado que os deixa pobres para depois os sustentar a subsídios miseráveis e pequenas contribuições para os livros das crianças e a botija do gás. As empresas preferiam ter instrumentos e condições para produzir bens, emprego e riqueza (leis simples e estáveis, impostos certos e não castigadores dos bons resultados, processos livres de burocracia) a andar sempre de mão estendida.

As opções contam e muito no resultado final. Portugal, à boleia do socialismo que o governou em dois terços dos últimos 20 anos, tem sofrido derrotas e atrasos sucessivos. E ainda nos dizem que se estamos de pé é graças ao esforço governativo...

SOBE&DESCE

SOBE: Pedro Adão e Silva, ministro da Cultura

Apesar da ideia que BE e alguns meios de propaganda da extrema-esquerda quiseram fazer passar, a estreia de Adão e Silva no Parlamento merece aplausos por refrescante na abordagem e no conteúdo. Com clareza e sem preconceitos, o ministro disse ao que vem, reconheceu que se devia investir muito mais em Cultura e que é essa a sua missão, mas também lembrou o caminho feito. E quebrando com a postura hostil da antecessora - que acreditava saber melhor do que qualquer outro o que a todos nos convinha nessa meca da objetividade que são as artes -, frisou que é seu dever defender TODA a cultura. Não sendo aficionado, é "plural e tolerante" - mesmo na tauromaquia, de que outros em altos cargos preferem agora fugir para não ofender correntes animalistas. Para que não restassem dúvidas, lembrou o que muitos esquecem, ignoram ou desdenham: o respeito pelos outros. "Não contem comigo para censurar as práticas culturais", frisou.

DESCE: Rui Tavares, vereador do Livre

A palermice não tem limites, a demagogia menos ainda. Nesta semana, o Livre propôs e a esquerda juntou-se a aplaudir e aprovar novos limites de velocidade em Lisboa. Contra quem governa a cidade e com o PCP a ver a proposta "estranha e difícil de aplicar" mas levado à abstenção pelas intenções, PS e BE aliaram-se a Rui Tavares (que depois despejou em Moedas a responsabilidade de "agora ver como isto se implementa") para pôr-nos a andar 10km/h mais devagar e assim "reduzir a nossa dependência energética". Para o que também fizeram aprovar a proibição de andar de carro aos domingos na Avenida da Liberdade. Mais do que andar sempre contra quem foi eleito para governar a cidade, os vereadores do Livre, do PS e do BE não se ralam nada de agir contra os lisboetas, sem consideração pelos que vivem na cidade (a menos que sejam ciclistas), sem sequer escutar a opinião de quem representa as freguesias em que impõem as suas mudanças. A razão invocada é simplesmente absurda a vários níveis. Resumindo a três: 1. Reduzir velocidades e cortar ruas faz mais trânsito, inclusivamente nas restantes artérias, gasta-se mais combustível e emite-se mais CO2; 2. Se a preocupação é a invocada, não pode um carro elétrico circular? E não deviam os transportes públicos ser os primeiros a dar o exemplo da contenção e da limpeza? 3. Se verdadeiramente se preocupassem com as causas, estes vereadores estariam a forçar conversas entre autarquias para, de uma vez, encontrar soluções de transporte público decente, pontual e eficiente que se tornasse uma verdadeira alternativa para os 300 mil carros que diariamente entram em Lisboa. Do impulso imediato para proibir, limitar, impedir já nem falo...

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