Ser capaz de pensar

Se falamos na necessidade de criar algo e de fazer acontecer temos de ter em consideração que primeiramente é preciso saber o quê, como, quando... questões que podem parecer simples, mas que escondem um leque de possibilidades extenso e que podem fazer com que uma pessoa se perca, sobretudo se somarmos às mesmas os múltiplos distratores que temos ao nosso redor.

Estaremos assoberbados de estímulos, que nos toldam a visão e sentido, para conseguirmos pensar?

Em 2014, um grupo de investigadores realizou 11 estudos e chegou à conclusão de que os participantes de uma experiência, colocados sozinhos numa sala e sentados durante 6 a 15 minutos, sem qualquer distração ou alguém com quem falar, preferiam sentir um choque elétrico a ter de pensar! Ficar sozinho com os seus pensamentos ou levar um choque elétrico? Curiosamente, 67% dos homens e 25% das mulheres preferiram a segunda opção de fazer ou experienciar algo, mesmo que negativo e desconfortável como, imagino que seja, administrar um choque elétrico a si próprio. Na realidade, foi a necessidade de ter de pensar que acabou por ser considerada desagradável, mas aqui não havia a desculpa de não haver tempo para o efeito...

E quando falamos de falta de tempo, a mesma pode ser sentida e devida pela pressão para fazer cada vez mais e melhor em menos tempo, à falta de motivação para abraçar objetivos, a hábitos e rotinas que nos fazem acomodar e resistir à mudança, a receios, entre tantas outras possibilidades.

Mas é a capacidade de raciocínio que nos permite tomar decisões e para isso é preciso pensar e as evidências anteriores apontam para o facto de não apreciarmos ficar sozinhos com os nossos pensamentos, pelo que, a palavra de ordem será manter o Foco. O foco no que é importante e possa não ser, na realidade, urgente. Sim, são estes objetivos de resolução não imediata no qual não empreendemos esforços, dizemos por não termos tempo, que é preciso atender com uma abordagem direta e orientada para a concretização de ações que acrescentem valor ao que pretendemos atingir em termos de resultados. A nossa consciência é tanto mais equilibrada quanto mais dirigida para algo concreto e para a ação.

Estará a nossa capacidade de concentração comprometida relativamente ao que é verdadeiramente importante? Afinal de contas, não é o facto de pensar que nos distingue enquanto humanos? Se assim é, vale a pena desafiarmo-nos a dedicar tempo a nós próprios, aos nossos pensamentos, às nossas metas e objetivos.

*Manager da área de assessment da Neves de Almeida HR Consulting

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