Opinião

Ser empresário é o verdadeiro título honorífico

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Tal como na heroica gesta dos descobrimentos quinhentistas, num clima de adversidade estrutural e num cenário de tempestade perfeita, os empresários portugueses resistiram persistindo

Depois de um ciclo económico onde o País viu diminuída a sua soberania pela intervenção externa, foi pela resiliência dos portugueses e pela capacidade de reação dos empresários que Portugal hoje apresenta tão encorajadores índices de crescimento.

Tal como na heroica gesta dos descobrimentos quinhentistas, num clima de adversidade estrutural e num cenário de tempestade perfeita, os empresários portugueses resistiram persistindo, persistiram e emergiram, emergiram e navegaram rumo a horizontes económicos de águas mais amenas.
Portugal ganhou consciência dos erros sistémicos da sua economia e o público ficou mais informado sobre os abusos de um sistema político e financeiro que nos conduziu à ruína. Semelhante lição teve um custo demasiado elevado que ainda hoje estamos a pagar.

Em geral, pagou o justo pelo pecador. Em particular, pagou o empresário pelas dificuldades de sobrevivência enfrentadas, pelo sistema financeiro que lhe fechou portas, pelo mercado que se transformou numa miragem, pela esperança e pela confiança que desapareceram, pelos anos que se perderam.

E pela mais elementar justiça, convém por estes dias recordar e deixar escrito em letras de ouro, para a posteridade, o que é ser empresário. Quem é que merece ostentar semelhante título.
O verdadeiro empresário começa por assumir um quadro de valores que encerra uma ética própria no quadro das suas ações. A busca incessante do lucro e do crescimento em nada é incompatível com a manifestação permanente de uma ética superior encerrada na criação de desenvolvimento. Sem beliscar crenças antigas, o lucro não é nem a tentação do demo, nem a conspiração de uma classe no capitalismo. É o motor do crescimento económico de que todos podemos beneficiar.

O verdadeiro empresário é por definição um cidadão cumpridor e responsável. Cerca de 90% dos empresários portugueses são obrigados, no recurso ao crédito bancário, a apresentar garantias pessoais, a cumprir prazos e obrigações pecuniárias. Não lhes oferecem crédito fácil, não têm padrinhos políticos nem são parceiros de operações bancárias. Para eles o dinheiro é um bem raro e caro.
O verdadeiro empresário sabe bem que a vitalidade da sua condição empresarial depende em muito do seu reconhecimento na comunidade económica onde exerce a sua atividade. À mulher de César não basta ser séria….O empresário tem de parecê-lo, cumprindo.

O verdadeiro empresário é aquele que assume riscos sem ninguém que o proteja; é um herói na esperança e na confiança, um explorador do desconhecido e do imprevisto. Nada teme e nada quer ficar a dever.

E esse é o seu maior título honorifico. A verdadeira comenda que todos exibem em recato, com distinção e orgulho, por se sentirem verdadeiros empresários. Mas nem todos o são.

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