Sinal mais para as exportações

Após o impacto do segundo confinamento, patente na nova queda do PIB no primeiro trimestre, começa a desenhar-se, para os próximos meses, um cenário mais propício à retoma da atividade económica.

Alguns indicadores dão alguma força a esta visão um pouco mais positiva da evolução da economia: após quatro meses em deterioração, o indicador de clima económico aumentou de forma expressiva em março e abril, refletindo a melhoria dos indicadores de confiança dos diversos ramos de atividade.

É certo que estas perspetivas não são ainda de molde a dissipar receios de novos retrocessos. Para além da incerteza inerente à evolução da pandemia, existe ainda o risco de que, descontinuadas algumas medidas (nomeadamente as moratórias de crédito), a repercussão da crise, nomeadamente no mercado de trabalho, venha a tomar proporções bem mais graves. Por isso, recentemente, a CIP entregou ao governo algumas propostas apontando vias de solução para uma situação que, se não for devidamente acautelada, representa uma séria ameaça para muitas empresas e para os seus trabalhadores.

Quero contudo assinalar um marco positivo que vale a pena destacar pelo seu significado: depois de, em fevereiro, terem regressado a uma variação positiva, as exportações de bens atingiram, em março, um pouco mais de 5800 milhões de euros, superando em 232 milhões o anterior máximo mensal (que tinha sido alcançado em maio de 2019).
Isto significa claramente que as exportações de bens já estão a ultrapassar o seu nível pré-crise.

Para além de evidenciarem uma reação muito rápida à flutuação da procura, as exportações portuguesas de bens conseguiram também ganhar quota nos mercados externos, ao longo do difícil ano de 2020. Para tal, de acordo com a análise feita pelo Banco de Portugal, contribuíram os resultados atingidos por diversos setores industriais.

Tudo isto, apesar dos problemas com os seguros de crédito à exportação (onde a atuação do Estado continua muito aquém do que seria esperado). Tudo isto, apesar dos problemas logísticos, do aumento exponencial do custo do transporte marítimo, bem com de dificuldades de fornecimentos decorrentes da forma como as diferentes cadeias de valor foram afetadas pela crise.

Estes resultados são de destacar ainda porque foram conseguidos em mercados onde as empresas portuguesas estão em concorrência com empresas de países que apoiaram de forma muito mais intensa a sua produção. Provam mais uma vez a capacidade das empresas exportadoras portuguesas que já na crise anterior tiveram um papel fundamental na recuperação.
Termino, pois, com uma nota de otimismo de que o objetivo, expresso no Programa de Recuperação e Resiliência, de atingir o volume de exportações equivalente a 50% do PIB até 2027 poderá ser alcançado. Mesmo, ironicamente, que tal não se fique a dever aos méritos deste programa, mas ao valor das empresas exportadoras.

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