Opinião: Alberto Castro

Só falta querer

Alunos Erasmus na Universidade do Porto. Fotografia: Rui Oliveira/Global Imagens
Alunos Erasmus na Universidade do Porto. Fotografia: Rui Oliveira/Global Imagens

O que foi feito para, após esse semestre, tentarmos cativar parte dos alunos Erasmus que escolheram o nosso país?

O programa InovContacto é uma iniciativa de promoção de estágios internacionais, da responsabilidade da AICEP. Várias vezes premiado, a sua perenidade (vai já na 23.ª edição) faz dele um caso quase único no contexto político português, tendo resistido a sucessivas mudanças de governos e ministros, com ajustamentos que refletem, sobretudo, disponibilidades financeiras e opções de maior ou menor massificação.

Nestes anos, estiveram envolvidos no programa cerca de seis mil jovens que estagiaram em mais de 1200 empresas e organizações, nacionais ou estrangeiras, espalhadas por 82 países. O seu sucesso afere-se, em particular, pelo elevado grau de empregabilidade dos participantes.

Numa economia e sociedade abertas, é natural que, em coerência, o mercado de trabalho seja… aberto. Isso é patente entre os mais jovens que fazem, cada vez mais, do mundo o seu campo de ocupação. É uma inevitabilidade a que temos de nos habituar, criando as condições para que possamos inscrever-nos nesse espaço de decisão, não só para os portugueses mas, também, para outras nacionalidades.

Nos últimos anos, tem havido um forte aumento no número de alunos Erasmus que tem escolhido o nosso país. A qualidade das nossas instituições de ensino, o clima, o custo e a qualidade de vida, o povo, entre outros, serão fatores que explicarão essa subida na atratividade. Pergunto: o que foi feito para, após esse semestre, tentarmos cativar, no duplo sentido de encantar e reter, parte desse grupo? Que eu saiba, muito pouco. Uma inércia quase criminosa num contexto de quebra demográfica, escassez de pessoas qualificadas e de imperiosa diversidade de mundividências.

Voltamos ao princípio. Temos 22 anos de experiência de um programa que tem sido várias vezes premiado. Que tal pensar, numa parceria entre as empresas e a AICEP, num InovContacto ao contrário, oferecendo estágios a esses jovens estrangeiros, num esforço concertado para os atrair a continuarem entre nós, quiçá a trabalharem para empresas portuguesas no seu país? Sabemos como fazer. Só falta o querer.

 

Alberto Castro, economista e professor universitário

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