Opinião

Socialistas? Pouco socialistas

Prof. Eduardo Baptista Correia - CEO Taguspark - 1

A forma como os dados da pandemia têm evoluído em Portugal demonstram que o modo como a nossa sociedade tem atuado não gerou os resultados extraordinários que o governo e em particular o primeiro-ministro tanto querem fazer crer. Basta comparar os dados por milhão de habitantes e facilmente percebemos a fraca performance portuguesa. Tanto assim é, que vários são os países europeus que impuseram restrições às viagens de e para Portugal.

Essas restrições levantam sérios problemas à economia Portuguesa, fazendo-se sentir com maior intensidade, nesta fase do ano, em setores ligados ao turismo. O resultado constitui um gigantesco problema para empresários afastados de rendimentos que assegurem a sustentabilidade dos investimentos, e famílias que enfrentam a calamidade do desemprego. Estas matérias impactam diretamente no bem-estar de centenas de milhares de famílias em Portugal, que sofrem de forma abrupta as consequências da má gestão dos dinheiros e causas públicas.

Enquanto cidadão tenho ficado, ao longo dos últimos quatro meses, bastante surpreendido e baralhado com a forma como o governo tem gerido o país. Não entendo como durante as fases mais duras de confinamento foi possível assistir a ajuntamentos em manifestações que não cumpriram as regras básicas de distanciamento social, constituindo em si potenciais focos de contágio, e dando um grave sinal de que eram aceitáveis determinados comportamentos que por alguma razão todos achavam, até aí, não serem. A limitação dos horários nas superfícies comerciais, é fácil de observar, teve como única consequência uma maior concentração de pessoas. O próprio governo anuncia com mais de dez membros juntos, a proibição de ajuntamentos com mais de 10 pessoas. Infelizmente é a vida real que a gestão do país nos traz, porque até parece uma brincadeira (de muito mau gosto).

No dia-a-dia urbano, são os utilizadores de transportes públicos os mais expostos e que, sem alternativa, mais riscos correm. Basta olhar para os transportes públicos na região metropolitana de Lisboa e facilmente se verifica que o governo não fez qualquer esforço nem investimento no sentido de garantir distanciamento social e salubridade nos transportes públicos que circulam em horas de ponta com níveis de ocupação nada adequados às medidas de proteção e distanciamento social.

Esta negligência para com os mais necessitados convive no mesmo espaço temporal com a exagerada e despesista intervenção na TAP. Prioridades de um governo de esquerda muito pouco preocupado com os mais pobres e desfavorecidos.

Onde é necessário e relativamente simples intervir para salvar e proteger a população mais necessitada, o Estado falha e distrai-se. Para manter e arrastar um problema de má gestão crónica (TAP) o governo não hesita em injetar centenas de milhões de euros dos contribuintes, utilizando como justificativo a sua grande especialidade, que consiste em argumentos acrobáticos e eleitoralistas.

A ausência de linha estratégica condutora associada à falta de rigor, é bem demonstrativa da competência deste grupo de governantes que insiste em continuamente aparecer e falar para as câmaras de televisão com dados e medidas avulso. E se tal é verdade para o governo, facilmente verificamos que as câmaras de Lisboa, Sintra e Amadora pouco fizeram para contrariar os índices de contágio que agora se fazem sentir. E se o presidente da Câmara de Lisboa, na minha apreciação, infantilmente acusa não percebemos bem quem, o presidente da Câmara de Sintra pura e simplesmente desapareceu, não tendo durante estes meses todos dado o mínimo contributo para a resolução do problema.

Os brilhantes resultados no combate à pandemia nestes concelhos estão à vista de todos e, não tenhamos dúvidas, estão na base das restrições e limitações que internacionalmente foram impostas a Portugal.

Socialistas? Pouco socialistas…

Eduardo Baptista Correia é CEO do Taguspark e professor da Escola de Gestão do ISCTE

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