Opinião

Sol, mar… e talento

Praia da Falésia, Olhos d'Água, Portugal

A economia portuguesa está na fase de crescimento do ciclo económico. O PIB português tem vindo a crescer desde 2014. Em 2017 cresceu 2,52% e a previsão para o ano em curso é de um crescimento na ordem dos 2,3%. Um tema muito relevante, por tratar da sustentabilidade deste crescimento, é o dos pilares onde tem vindo a assentar este crescimento. Um deles é o crescimento do setor do turismo.

Segundo os dados mais recentes da Organização Mundial do Turismo, em 2017, o número de turistas que entraram no nosso país cresceu 17% face ao ano anterior (já na linha de crescimento dos anos anteriores), enquanto a média dos países europeus neste indicador é de 8,4%. A receita de turismo evidenciou um crescimento ainda mais acentuado, de 22%, enquanto a média europeia foi de 8%. Os dados do INE e da Pordata mostram que o peso das receitas de exportação de turismo no PIB nacional atingiu 7,8%, enquanto em 2010 atingia 4,2%. Estamos, pois, a aumentar a dependência da economia do nosso país neste setor de atividade. Os riscos são evidentes e fáceis de enunciar – para além da concentração crescente num setor dependente da conjuntura externa e de fatores não controláveis, como sejam as questões de segurança (ou falta dela) internacional, o facto de este ser, tradicionalmente, um setor assente em mão-de-obra pouco qualificada e em relações de trabalho precárias é talvez o mais preocupante.

Uma força de trabalho com elevados níveis de qualificação e competências é essencial para a competitividade e prosperidade sustentável, nomeadamente em contextos como os atuais, de elevados riscos internacionais e de grande e rápido desenvolvimento de novas tecnologias. Desafios complexos para os governos, as empresas e a sociedade em geral.

No ranking mundial de talento de 2018 publicado pelo IMD, em parceria em Portugal com a Porto Business School, o nosso país apresenta um desempenho excecional. Sobe 7 lugares e surge no top 20 da tabela (que envolve 63 países), bem acima de economias como o Reino Unido (23º), França (25º), Irlanda (21º) e Espanha (31º). Num ranking liderado por países da Europa Ocidental, Portugal surge muito bem posicionado nesta liga dos melhores a desenvolver, atrair e a reter profissionais com elevada qualificação, em suma, na qualidade das competências ao serviço da economia.

Os factos são otimistas. Estamos no bom caminho. Haverá agora que garantir que o talento qualificado que temos no nosso país é colocado ao serviço de todos os setores da economia portuguesa, desde os tradicionais aos tecnológicos, e de todas as empresas, desde as grandes às pequenas.

O investimento na educação e na qualificação dará os seus frutos e é, sem dúvida, a única forma de garantir que o crescimento e o desenvolvimento de alguns setores mais tradicionais não sejam apenas espuma do momento, mas sirvam a nossa economia de forma duradoura e sustentável. A atribuição recente de novas estrelas Michelin a Chefs portugueses, alguns deles situados em cidades menos prováveis e assentes em pequenos negócios familiares são um excelente exemplo do que é possível fazer. Temos de ser mais do que sol e mar!

Patrícia Teixeira Lopes, Associate dean da Porto Business School

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