Sustentabilidade e rentabilidade para vencer o futuro

A resiliência das empresas é posta à prova todos os dias, mas esta pandemia provocou alterações nas rotinas de milhões de cidadãos e, consequentemente, modificou o rumo de muitos negócios. Os empresários e os empreendedores devem ter a capacidade de se adaptar ao presente e reformular os seus modelos de negócios com coragem, trabalho, determinação e criatividade.

É isso que no final do dia distingue as empresas capazes e os empresários com visão, e que distinguirá os líderes em contraponto aos seguidores e em última instância ditará o sucesso ou o insucesso de cada projeto.

É essencial conciliar a sustentabilidade com a rentabilidade, para que mesmo em tempos mais conturbados as empresas possam continuar a inovar e a crescer, aportando sempre valor ao mercado. Esta é, para mim, a receita fundamental para um futuro promissor e para continuar a gerar riqueza para Portugal.

Fazer as coisas certas e fazer certo as coisas que temos de fazer em cada momento, não descurando, obviamente, o curto-prazo e a gestão do dia-a-dia, mas estar sempre focado na construção de valor para o futuro.

A utilização do plástico é uma preocupação ambiental e climática crescente e que está no topo das agendas de todos os líderes mundiais. Mas em abono da verdade, este é um material essencial para assegurar a segurança e a higiene alimentar. Há estudos que demonstram, por exemplo, que a substituição total do plástico por outro material nas embalagens alimentares resultaria impreterivelmente num aumento de mais de 30% do desperdício alimentar que, como sabemos é, já hoje, muito alto nos países desenvolvidos. Em termos ambientais o desaparecimento da utilização do plástico na indústria alimentar provocaria uma crise social, ambiental e de escassez de recursos muito mais gravosa que o próprio problema ambiental de excesso de plástico que hoje vivemos.

É consensual que urge encontrar uma solução para o gigantesco impacto que a utilização do plástico tem na sustentabilidade ambiental e que a solução tem que forçosamente passar pela reutilização e reciclagem de todos os materiais, incluindo o plástico, promovendo uma economia circular.

E tem efetivamente havido um grande empenho por parte de muitas entidades associações, instituições, empresas e sobretudo da sociedade civil - cada um de nós enquanto cidadão desempenha um papel fundamental nesta luta pela sustentabilidade - no desenvolvimento de soluções mais amigas do ambiente e têm sido dados passos "gigantes" no sentido de incentivar a adoção de práticas sustentáveis, mas, os números e as estatísticas dizem-nos que não têm sido suficientes

Em Portugal, e neste domínio, uma das medidas recentemente adotadas e que está ainda em fase de projeto-piloto está a ser liderado pelo Pacto Português para os Plásticos, acordo que pretende incentivar e defender a criação de soluções para uma economia circular.

Este projeto-piloto implementou 23 máquinas espalhadas por todo o país que incentivam a reciclagem em troca de dinheiro e cujos resultados se revelaram um enorme sucesso, permitindo a recolha seletiva de mais de 300 toneladas de plástico.

Está já planeado a expansão deste projeto com a implantação de 3600 máquinas por todo o país que provisionalmente permitirão a reciclagem seletiva de mais de 47 milhões de toneladas de PET e quase 2000 milhões de embalagens.

Isto será na minha perspetiva um salto quântico na capacidade de recolha e um gigante contributo ambiental, social e até económico para Portugal. E nós, temos feito a nossa parte com investimentos constantes no desenvolvimento de novas embalagens com aplicação direta na economia circular.

É fundamental continuar a apostar na tecnologia, a apresentar inovação e a investir, para encontrar novas formas de "trabalhar" com menos impacto no ambiente, nos ecossistemas e nos consumidores.

O "match" perfeito entre a sustentabilidade e a rentabilidade é a chave para o equilíbrio ambiental ambicionado por todos nós. Mas há ainda um longo caminho a percorrer e a desbravar.

É essa a responsabilidade que os empresários e as empresas têm que ter, é essa a nossa obrigação em prol das gerações vindouras.

Vítor Hugo Gonçalves, CEO Sociedade da Água de Monchique

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