Opinião

Tecnologia LED ajuda a reduzir a poluição luminosa

iluminação pública LED

A revista científica Science Advances publicou, em novembro último, um artigo sobre o aumento da luminosidade no nosso planeta provocado pela iluminação artificial, fruto do aumento da iluminação pública. O conjunto de cientistas, maioritariamente sediados na Europa, alertam para a diminuição da noite e o aumento da poluição luminosa. O artigo teve, felizmente, um forte impacto na imprensa, tendo sido referido em várias peças internacionais e, em Portugal, no jornal Público de 23 de novembro sob o título A luz artificial está a roubar-nos a noite.

A tecnologia LED, enquanto mais recente novidade na iluminação pública é referenciada em vários artigos como uma das principais suspeitas para tal aumento de poluição.

Será que a culpa é do LED? Ou será que, por ser novidade, é o principal suspeito? Esta tecnologia é parte do problema ou da solução? Vamos a factos.

É um facto que a noite está a desaparecer e os níveis de poluição luminosa estão a subir. O problema existe, é real, e tem de ser endereçado.

No artigo, os autores referem dois outros estudos de J.Y.Tsao sobre o nosso apetite enquanto humanos para a luz artificial, alertando para o facto de que os humanos tendem a gastar tanto quanto conseguem em luz artificial.

Noutra vertente, no estudo de Kyba, verifica-se que o maior aumento de luminosidade deu-se na América do Sul, Ásia e África, zonas do planeta com menor luminosidade que se estão a aproximar dos níveis das zonas mais desenvolvidas. No caso dos Estados Unidos e de Espanha a luminosidade não aumentou.

Há um aumento de poluição porque, cada vez mais, se instalam mais pontos de luz, sobretudo em países em desenvolvimento. E o LED, qual é o papel do LED no meio disto?

Curiosamente, no mesmo estudo refere-se que, em países mais desenvolvidos, há uma diminuição da radiância nos centros de cidade devido à troca para LED. O artigo não coloca a tecnologia LED como sendo intrinsecamente a causadora do aumento de poluição, sendo até referido que projetos de LED podem obter uma redução da luminosidade.

Aparentemente, ao poupar energia com a troca para LED há várias localidades que aumentam o número de luminárias, assim como a quantidade de luz. É como, ao fazer dieta, comer duas vezes mais só porque a comida é light!

Deve haver uma preocupação e rigor por parte dos projetistas e das localidades em manter ou reduzir os níveis luminosos aquando da transição para LED.

Em segundo, devem privilegiar luminárias LED com emissões apenas descendentes. Desta forma, evita-se a perda de luz para a atmosfera aproveitando ao máximo a luz gerada para iluminar a via.

Por último, usar soluções de regulação de fluxo, permitindo a redução de intensidade ao longo da noite em alturas de menor atividade humana, sem comprometer a segurança.

Todas estas boas práticas de projeto, associadas a um uso responsável da iluminação, não só não aumentam a radiância como a reduzem, o mesmo acontecendo com os níveis de emissão de CO2 graças à poupança energética. O que não podemos é cair na tentação de usar as poupanças do LED para maior consumo.

Miguel Allen Lima, CEO da Arquiled

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