Tecnologia na saúde é como dinheiro para a economia

De olhos postos num novo estado de emergência que irá entrar porta adentro pelo Natal e Ano Novo, talvez nos tenhamos desfocado um pouco do grande evento tecnológico que, noutros anos e sem pandemia, nos mobilizou até à FIL, no Parque das Nações. Desta vez não foi preciso sair de casa ou do escritório para assistir à Web Summit. Os convidados e os conteúdos mantiveram forte interesse. Mesmo à distância, foi relevante manter este encontro que reúne as tecnológicas e os empreendedores ou fazedores, dos quais se escrevem as histórias, os sucessos e os insucessos há já nove anos, no Dinheiro Vivo.

Manter eventos como este é o mesmo que dizer, em voz alta e para os quatro cantos do mundo, que o vírus não nos faz baixar os braços. Manter encontros como este é importante para mobilizar a continuar a fazer melhor e a desafiar o ecossistema das startups. Foi o que pediu aos inovadores o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), no palco da Web Summit, quando lhes dirigiu a palavra e apelou: "Ajudem a saúde". Tedros Ghebreyesus falou da importância da inovação para combater a covid. "Numa pandemia sem precedentes nos tempos recentes, precisamos de inovação para procurar melhores diagnósticos, terapias e soluções escaláveis que salvam vidas." O responsável da OMS pediu ainda cooperação e partilha de conhecimento entre os países para que a ciência e a tecnologia ajudem a combater o vírus.

Por vezes, quando se fala de tecnologia muitos entendem o tema como algo de nicho ou uma realidade futurista e longínqua. Nada mais errado. A tecnologia faz parte das nossas vidas, mesmo quando não damos por ela. Acredito que tecnologia e ciência estão hoje para a saúde como o dinheiro para a economia. Incentivar à inovação e ao investimento em tecnologia é um serviço público importante. Os fundos comunitários de apoio à recuperação da economia terão esta área, entre outras, na mira e poderão dar o impulso que falta para que o uso da tecnologia seja transversal e tenha impacto na competitividade nacional.

Apesar de, na Web Summit, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, ter convidado os empreendedores a irem trabalhar e investir em Espanha, cabe a Portugal ser atrativo e reter cá os melhores. Evidenciar-se pelo ecossistema que tem desenvolvido e também pelas políticas públicas que podem e devem fazer mais pelo empreendedorismo. Tem razão Sánchez, quando diz que o empreendedorismo e a inovação são a receita "para trazer muitos empregos, duradouros e de qualidade", além de ajudarem a promover o conhecimento. Portugal deve tomar boa nota destas palavras do nuestro hermano, porque "a pandemia só trouxe maior urgência para expandir a digitalização, melhorar a ciência e diminuir desigualdades", acrescentou.

Uma palavra final para dar os parabéns ao Dinheiro Vivo por, uma vez mais, ter sido escolhido como media partner oficial da Web Summit e ter realizado uma vasta e inigualável cobertura do acontecimento.

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