Opinião

Tecnologia no retalho: unir marcas e consumidores (sem contacto)

joao lopes, cofundador da Bloq.it

Sendo um dos setores mais afetados pelos efeitos da pandemia desde o seu começo, o retalho continua a viver um cenário sem precedentes, com grandes consequências a nível de negócio. O confinamento e as restrições impostas, que levaram ao encerramento da larga maioria dos estabelecimentos comerciais, provocaram elevadas quebras na faturação e instalou um ambiente de incerteza nos empresários dos mais diversos ramos.

Depois de autorizados a reabrir as suas portas, as condicionantes foram outras: números limitados de pessoas permitidas nos espaços, implementação de medidas de higienização e desinfeção, restrições nos horários de atividade, entre outros.

Tudo isto traduziu-se em maior despesa e trabalho, e menor receita.

Mesmo com o esforço constante de sensibilização de lojistas e consumidores, existe agora um problema transversal no setor: as enormes filas de clientes à porta dos estabelecimentos e o facto de, apesar do controlo, as pessoas tenderem a agruparem-se dentro das lojas. A isto, aliam-se ainda as preocupações relativas à higiene e segurança dos funcionários, em contacto com centenas de pessoas diariamente.

Do lado dos consumidores, a situação é semelhante, levando a que alguns deixassem as lojas, as filas e as confusões e migrassem para o comércio online. No entanto, apesar destes serviços reduzirem em muito o risco de propagação do vírus, não o elimina. Ao encomendar online, o consumidor recebe a compra em casa, logo, tem de se encontrar com alguém à porta para a recolher.

Diminuir o contacto entre o cliente e o assistente de loja torna-se agora uma tarefa difícil, mas não impossível. É essencial encontrarem-se soluções rápidas e acessíveis. Só assim será possível que o comércio se mantenha aberto, algo de extrema importância para a economia, sem que se torne num local de potencial contágio. Mas de que forma podemos unir marcas e consumidores num mesmo espaço sem qualquer contacto?

Para responder a esta questão, considero importante olhar para o que aconteceu no retalho a nível mundial nos últimos meses: um fenómeno único. Foram as empresas que já lideravam o cenário digital as que melhor se adaptaram aos novos desafios. O Walmart, por exemplo, registou um aumento de 20% nas suas vendas, durante o mês de Março, e uma subida de 190% nas utilizações da sua app de venda. A adaptação ao digital foi mesmo o que mais contribuiu para o sucesso dos retalhistas, o que me leva a concluir a urgência em inovar, de forma rápida e constante, e que passe, necessariamente, pela tecnologia. Só desta forma este setor pode ter um papel eficaz na mitigação do vírus, garantindo o seu futuro.

Neste artigo, dou até um passo em frente, revelando já algumas ideias que podem servir de base para a adaptação dos lojistas. No entanto, é preciso ter em mente que muitas outras soluções tecnológicas estão a surgir e devem ser consideradas.

Um dos serviços a que já não se pode fugir é mesmo o comércio online. Tanto as pequenas empresas, como as de maior dimensão devem fazer esta transição, apostando numa nova fonte de receita que evita, em muito, o seu contacto com os consumidores.
No que toca aos pagamentos, considero essencial uma aposta nas opções contactless. Do cartão físico ao smartphone ou ao smartwatch e até recorrendo a aplicações de fintech, é cada vez mais fácil fazer pagamentos sem necessidade de contacto entre o lojista e consumidor e sem tocar em superfícies de possível contaminação.

O conceito de “drive-in” está também a ganhar cada vez mais espaço junto dos retalhistas, uma vez que permitem que o cliente compre e levante rapidamente o produto sem ter de estar na fila ou de entrar no espaço. Para que o contacto seja completamente evitado, a utilização de cacifos inteligentes parece ser a opção do futuro, algo que a AGCOM, uma agência governamental italiana, também já se apercebeu, tendo emitido uma declaração oficial incentivando ao uso desta tecnologia por todo o país numa das alturas em que o país era mais afetado pela pandemia.

Com estes cacifos, o consumidor pode levantar a sua encomenda online sem ter de passar pela loja: basta dirigir-se ao cacifo, abri-lo remotamente e recolher a sua compra. Esta solução, que em Portugal é apenas desenvolvida por nós – Bloq.it- está já presente numa das maiores superfícies comerciais do país, o Centro Colombo, disponível para todos os lojistas.

Além dos inúmeros benefícios a nível sanitário para os lojistas, estas e outras soluções revelam ainda inúmeras mais-valias do âmbito económico, reduzindo o investimento em transporte, por exemplo.

Por tudo isto, num momento em que o retalho vive um futuro incerto, a palavra-chave é inovar, não ficar para trás e pensar fora da caixa. Para que os retalhistas se tornem agentes ativos na mitigação do vírus, é preciso que se unam e encontrem as opções tecnológicas que mais façam sentido para o seu negócio, além de estarem atentos a novas soluções, mas também despertos para as necessidades dos consumidores, que são hoje diferentes de dia para dia.

João Lopes, cofundador da Bloq.it

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