Teletrabalho ou presencial: qual o novo normal para as marcas?

O teletrabalho tornou-se uma realidade para todos quando nos deparamos com a pandemia da COVID-19. A estranheza inicial acabou por se tornar um hábito, e agora - que já não é obrigatório ou recomendado - deparamo-nos com a questão das preferências, seja das pessoas, das equipas ou das empresas. E qual vai ser o novo normal dentro de cada organização?

No início da pandemia, a opinião prevalecente - mais tradicional - era de que o teletrabalho seria prejudicial para os negócios, iria afetar a produtividade, comunicação, inovação, entre outros aspetos. Ao fim de 18 meses, quando se atravessa o momento de tomada de decisões de regresso a alguma "nomalidade", as opiniões dominantes mudaram e são muito distintas.

Um estudo recente levado a cabo pela Microsoft, analisou 61 mil funcionários da sua empresa nos EUA no período entre dezembro de 2019 e junho de 2020, e constatou que o teletrabalho de facto reduziu a criatividade, comunicação e o trabalho em equipa, resultando assim numa menor produtividade e inovação. A pesquisa também revelou o aumento da carga horária semanal, e o aumento de emails e mensagens, apesar do tempo passado em reuniões ter reduzido em cerca de 5%.

Em contrapartida, um estudo realizado pela Robert Walters a 5500 pessoas a nível mundial, comprovou que, dos inquiridos em Portugal, 44% dos profissionais questionados viram a sua produtividade aumentar devido a fatores como a flexibilidade horária, uma maior autonomia, e por trabalharem num ambiente mais relaxado e confortável, entre outros aspetos. Nesse mesmo estudo, 89% mostram estar satisfeitos com o trabalho a partir de casa, e apenas 4% defendem o regresso ao trabalho presencial a tempo inteiro, apresentando como desvantagens as distrações em casa e a diminuição da interação com os colegas de trabalho.

A preferência pelo regime de trabalho à distância é também corroborada pelo estudo feito pelo Observatório da Sociedade Portuguesa que verificou que 80,4% dos inquiridos mostraram-se interessados em continuar num regime de teletrabalho.

Na perspetiva das empresas, um estudo feito pela Capgemini a 500 empresas de diversos setores, apontou que 63% das empresas inquiridas registaram um aumento da produtividade com o trabalho a partir de casa.

Os setores da tecnologia de informação e serviços digitais registaram um aumento de 68% na sua produtividade, seguidas pelas áreas do atendimento ao cliente (60%) e pelas empresas de vendas e marketing (59%). Outro dado interessante evidenciado no estudo em questão é que 3 em 10 empresas acreditam ter mais de 70% dos seus colaboradores num regime de teletrabalho, e ainda que praticamente 45% dos trabalhadores esperam estar a trabalhar a partir de casa pelo menos três dias por semana.

A tendência dos trabalhadores portugueses recai sobre a manutenção do trabalho à distância mesmo que esse regime já não seja obrigatório. Tal estatística pode ser atribuída ao país em que vivemos, corroborado pelo estudo realizado pela Holidu, que apresenta Lisboa como a terceira melhor cidade do mundo para o teletrabalho, e a primeira a nível europeu, com o Porto a aparecer na 27ª posição, e Faro na 58ª num total de 147 cidades.

"O trabalho é o que se faz e não onde se está ou quantas horas", Nazli Sahafi, diretora geral da Roche Diagnostics

Apesar da diferença de opiniões, o mindset teve alteração significativa. É um tema que - empresas e pessoas - terão de saber gerir, sempre numa perspetiva de benefício recíproco. Se é verdade que as funções que exigem interação de equipa, proximidade social ou propósito comercial não são produtivas num regime de 100% teletrabalho, também é verdade que muitas outras funções não dependem da interação presencial para aumentar a produtividade (um tema que é há muito identificado como uma lacuna na economia portuguesa).

As opiniões diferem consoante o estudo realizado e o setor em análise, mas fica a certeza que - como noutros aspetos e não havendo soluções únicas e perfeitas - esta fase mostrou-nos que o paradigma tradicional poderá adaptar-se, aportando benefícios globais. Presencial, remoto ou híbrido passarão todos seguramente a fazer parte do novo normal das marcas e empresas.

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