Opinião

Têm sido, os políticos, um passivo?

Assembleia da República. Fotografia: Filipe Amorim/Global Imagens
Assembleia da República. Fotografia: Filipe Amorim/Global Imagens

No seu livro, Princípios de Finanças Empresariais, dois prestigiados académicos, R. Brealey, da LBS, e S. Myers, do MIT, verificando que o valor bolsista de algumas empresas era persistentemente inferior ao valor de mercado das suas reservas de petróleo, concluíam que mais valia comprar petróleo em Wall Street do que no Texas e deixavam a interrogação: serão as administrações um passivo?

Má gestão e investimentos ruinosos evidenciavam que os administradores eram mesmo um passivo.
Não é abusivo estender a interrogação aos políticos que nos vêm governando.

Em 2004, aquando do alargamento da UE 15, Portugal era, antes da Grécia, o país com o menor PIB per capita em termos de paridade de poder de compra, 72% da UE 15.

Desde então, fomos ultrapassados por muitos países do alargamento (Lituânia e Estónia, já em 2017), de penúltimos da UE 15 passámos à cauda da UE 28, e o PIB per capita baixou de 91% da média da futura UE 28, em 2004, para apenas 77% em 2017. Pelo meio, uma bancarrota a obrigar a intervenção externa.

Seguindo os dois académicos, não será forçado concluir que os nossos governantes têm sido mesmo um passivo.

Claro que os governos nunca assumem os erros e são os primeiros a louvarem-se de qualquer lampejo de crescimento, mesmo que só devido a fatores externos. O passivo estaria então nos empresários, pois são eles que fazem a economia, e a sua impreparação, carência de organização e má gestão explicariam a falta de competitividade que levou à estagnação económica.

Nada mais errado. É que a economia portuguesa vive num verdadeiro condicionamento industrial, com perfil diferente, embora não menos danoso do que o de Salazar, reflexo do espírito controleiro de um Estado burocrático de que o licenciamento moroso, desmotivante e causador de corrupção, é apenas uma das expressões. A que acrescem uma justiça sem tempo e ineficaz, uma política energética penalizadora da competitividade, desperdícios em investimento público sem retorno financeiro ou social, instabilidade tributária (nos últimos 20 anos à média anual de 150 alterações nos códigos fiscais), em que o esbulho leva a recordes da carga fiscal.

Promotores e sustentáculo desse condicionamento, salvo honrosas exceções, os políticos têm sido o grande passivo deste país. Pior, não se deixam reestruturar!

Economista

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