Temos que exportar mais

A economia portuguesa transformou-se, nos anos que se seguiram à adesão à União Europeia, numa economia exportadora e frequentemente ouvimos aos governantes do bloco dominante (PSD/PS) a apelar ao aumento das exportações. Muitas vezes pensamos que os destinatários dessas exortações seriam os empresários portugueses.

Ao analisarmos contudo quer a estrutura das exportações, quer das importações, quer as empresas que mais contribuem para essas exportações e importações percebemos que o grosso do nosso comércio externo está em mãos estrangeiras.

Assim o eco que as palavras dos governantes soariam quase exclusivamente aos gestores de empresas estrangeiras, mas estes não se interessam pelas exaltações nacionais e apenas obedecem às ordens que lhes chegam das sedes localizadas noutros países.

Nas dez maiores exportadoras de Portugal de 2019 encontramos 8 (oito!) empresas estrangeiras (Auto-Europa, Bosch, Continental Mabor, Faurécia, PSA, Visteon, Repsol e Aptivport Services) e apenas duas parcialmente portuguesas (Petrogal e Navigator). Ambas as portuguesas têm largas partes do capital em mãos de acionistas estrangeiros.

E se olharmos para os maiores importadores verificamos que muitas das empresas estrangeiras que mais exportam também aí estão representadas. Ou seja, em Portugal limitam-se a juntar peças produzidas noutros lados. O maior contributo português é em mão-de-obra barata.

Naturalmente este é o panorama geral apesar de haver alguma incorporação nacional de alguns produtos em algumas exportações de empresas estrangeiras. Mas ela é ainda pequena.

Assim chegamos ao verdadeiro destinatário das palavras dos nossos políticos: os trabalhadores mal pagos. A forma de aumentarmos as exportações é simples, fácil e bem conhecida dos nossos governantes: descer os salários reais para aumentar a atratividade do capital estrangeiro.

Assim cada exortação ao aumento das exportações, na linguagem cifrada dos políticos, quer apenas dizer manter os salários ou mesmo baixá-los. É um verdadeiro apelo à emigração dos portugueses que se recusem a viver toda a vida com salários baixos.

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