Tendências 2021: Uma aposta num futuro sustentável

Nos últimos anos temos vindo a questionar alguns dos hábitos mais simples do nosso dia-a-dia - desde os sacos que levamos às compras, à forma como reaproveitamos o nosso lixo -, com o objetivo de atingirmos um futuro mais sustentável. Mas, e a forma como nos movemos? É também possível torná-la mais ecológica?

Efetivamente, temos assistido à adoção de formas mais sustentáveis de nos deslocarmos, em especial no setor automóvel, que visam contribuir para a proteção e preservação do ambiente, através da promoção da redução das emissões de dióxido de carbono e consequente descarbonização dos motores a combustível fóssil. A meta é por isso muito simples: a adoção de veículos "mais limpos".

Para atingir este objetivo, a Comissão Europeia delineou um plano bastante ambicioso para 2030: um parque circulante de 30 milhões de veículos elétricos, o que irá representar cerca de 15 por cento do parque automóvel da União Europeia. Contudo, na realidade, o caminho a percorrer ainda é longo se consideramos que, atualmente, o parque automóvel europeu é apenas composto por 0,2 por cento de viaturas elétricas.

Ainda que a tendência da eletrificação das motorizações se deva intensificar ao longo dos próximos anos, a verdade é que uma mobilidade sustentável não é sinónimo de carros 100 por cento elétricos. Na realidade, os automóveis vão passar a resultar de um conjunto de diferentes tipos de tecnologias mais ecológicas - híbridos, plug-in, elétricos ou fuel cell - e não estarão circunscritos unicamente a uma só opção. Este tipo de soluções também irá sempre depender do tipo de utilização que os condutores fazem das suas viaturas, reforçando assim o facto de não existir uma única tecnologia vencedora, mas, em alternativa, diferentes tecnologias eletrificadas a coexistirem.

Contudo, não podia deixar de destacar aquela que é a tecnologia disponível mais ecológica até ao momento, mas ainda a menos adotada: a fuel cell. Esta solução de mobilidade elétrica, que é utilizada em carros a hidrogénio e uma das grandes apostas para o futuro, é considerada a mais "amiga do ambiente", não só por não emitir CO2, mas também por permitir a purificação do ar, libertando apenas vapor de água. A adoção de tecnologia a hidrogénio, a médio-prazo, é particularmente relevante, por exemplo, no caso dos autocarros, camiões e veículos comerciais uma vez que é possível obter grandes autonomias, com um menor tempo de abastecimento.

Uma outra tendência, que albergará consigo uma mudança tecnológica progressiva, é a transição para baterias mais sustentáveis e simultaneamente a promoção de uma segunda vida para estes dispositivos. A realidade é que temos vindo a caminhar nesse sentido, com uma aposta reforçada em tecnologia mais avançada que se encontra em constante evolução, permitindo atualmente a reciclagem dos materiais que estão na base da sua composição e a utilização destes dispositivos nas cadeias de abastecimento das próprias baterias. Mas no futuro, a "segunda vida" destas baterias revela-se bem mais promissora. Efetivamente, com a crescente eletrificação das viaturas prevê-se um aumento da procura de energia, sendo que as baterias automóveis podem ser "revitalizadas" e utilizadas enquanto reservas de energia para as habitações, por exemplo.

A crescente preocupação ambiental, associada à necessidade individual de redução de gastos com o veículo próprio, irá também coexistir com uma nova tendência: a mobilidade partilhada. Isto traduz-se numa aposta em serviços como carpooling ou carsharing. Contudo, irá sempre depender da perspetiva do consumidor face a estes serviços e nas vantagens que este pensa que terá ao usufruir destas soluções.

A necessidade de acelerar a renovação das frotas de autocarros públicas e privadas, eletrificando-as, seja em motorizações 100 por cento elétricas ou a hidrogénio, é uma outra área de relevo para o contributo global do sistema de transporte rodoviário.

Estas são apenas algumas das tendências no setor automóvel que carregam consigo uma mensagem de esperança para um futuro mais ecológico. É através da implementação gradual (e não assente em utopias ou vertigens dirigistas do estado no que toca às tecnologias a adotar) destas ou outras opções mais sustentáveis que vai ser possível atingir as ambiciosas metas de redução de emissões de dióxido de carbono e contribuir para um planeta mais saudável.

Sérgio Ribeiro, CEO da Hyundai Portugal e Administrador da Salvador Caetano Auto

Este artigo de opinião pertence a uma série que procura desmitificar e esclarecer as principais questões sobre a mobilidade sustentável.

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