Opinião: Pedro Rocha Vieira

The Battle for Beautiful Business

EPA/WAEL HAMZEH
EPA/WAEL HAMZEH

Na semana do famoso e importante evento tecnológico que é o Web Summit, decorreu em Lisboa um evento que nos diz que, num mundo em que tudo pode ser feito de forma mais eficiente pela máquinas, ser-se humano será a nossa diferenciação absoluta.

A House of Beautiful Business é um evento especial, que nos chama a atenção para a urgência da humanização do mundo dos negócios, a importância de nos transmutarmos de forma gradual mas profunda para que assim seja de facto possível transformar o mundo de forma estrutural e sustentável.
Para que seja possível uma transformação e uma humanização do mundo dos negócios, é preciso começar por aceitar a nossa vulnerabilidade e por confiar verdadeiramente uns nos outros, pois apenas assim é possível reconstruir algo de novo. Uma sociedade só é verdadeiramente humana na medida em que tolera, e até aprecia, o conceito de perder.

É preciso redefinir os atuais conceitos de sucesso, reinventar novas métricas, que vão para além do valor económico e do valor acionista. É preciso mudar para um mindset em que ganhar não é o objetivo, mas o importante sim é criar algo significativo, que nos redefina como humanos. É preciso sonhar um pouco antes de pensar. Integrar a ética, a estética e o amor de volta em tudo o que fazemos. Pois apenas o amor nos permite ver verdadeiramente o outro.

Precisamos de reinventar a nossa linguagem, criar novos territórios, abandonar ou proibir os buzzwords, repetitivos e vazios, por novos conceitos, mais humanos e autênticos. É importante redefinir as lógicas de poder, e distribuir poder em vez de empoderar, respeitar, compreender e confiar verdadeiramente nos outros, nas pessoas com quem trabalhamos e para quem trabalhamos.

É crítico viabilizar uma inovação colaborativa consciente, criar novos conceitos de valor, criar novos modelos de negócios colaborativos. Vivemos numa crise geral de pertença, em que a solidão e o vazio são uma verdadeira epidemia. É preciso refundar o conceito de comunidade e de pertença, e criar ecossistemas mais assentes em relações de afeto, confiança e respeito.

É possível redefinir os próprios conceitos de organização, para que sejam mais inclusivos, mais autónomos, que convidem as pessoas a serem elas próprias, que sejam mais assentes em princípios fortes e simples do que em regras e procedimentos de controlo e desumanização. Princípios como o compromisso, a comunicação, e verdadeira accountability.

Para vencermos the battle for beautiful business, e para atingir resultados extraordinários, temos todos que desenvolver um sentido profundo de liderança e redefinição de grandeza, temos que conseguir aliar e de conciliar cada vez mais a capacidade de ter uma grande visão com um grande sentido de realismo, sem ilusões, e de conciliar uma capacidade de coragem e iniciativa sustentada, com um elevado sentido de ética e de serviço pelos outros.

Vivemos de facto tempos complexos, não podemos descurar a importância da tecnologia e de todas os ganhos de eficiência e produtividade que temos conquistado, pois são ferramentas fantásticas que podemos utilizar. Mas temos que ser capazes de vencer as nossas ansiedades crescentes e criar um novo conceito de grandeza e de beleza nos negócios. Precisamos de mais inovação colaborativa consciente.

Cofundador e CEO da Beta-i

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