Opinião: Manuel Falcão

Tik Tok: A ameaça ao Facebook vem da China

A app TikTok é um dos produtos mais conhecidos da ByteDance.
A app TikTok é um dos produtos mais conhecidos da ByteDance.

Uma certeza que nasceu nestes meses: a facilidade com que as pessoas mudam de hábitos. Em consequência, o comportamento face ao consumo de conteúdos está a modificar-se de forma mais rápida e os mais novos são claramente os que mais facilmente adotam novidades.

Durante o confinamento e a explosão de uso da internet uma aplicação ganhou destaque em todo o mundo: o Tik Tok. Trata-se de uma rede social que permite criar vídeos curtos (mistura de Instagram, Snapchat e falecido Vine). Os vídeos devem ter de 15 segundos a 1 minuto e são sempre no formato vertical, correspondente ao ecrã do smartphone. Atualmente, em termos mundiais, o Tik Tok tem quase dois mil milhões de utilizadores, 56% dos quais são mulheres e que fazem em média 13 acessos por dia à rede gastando nela 65 minutos diários. Em Portugal os números já são significativos: 1,8 milhões de utilizadores, 65% dos quais mulheres, com cerca de sete acessos e 50 minutos por dia. 12% dos utilizadores portugueses têm 13 a 14 anos, 32% entre 14 e 18 anos, 36% de 19 a 24 anos e 20% estão acima dos 25 anos. Em Portugal, o crescimento verificou-se sobretudo em março e abril, meses fortes do confinamento, com mais 36% de utilizadores.

Criado na China, em 2016, o Tik Tok faz parte da Bytedance, a mais valiosa startup digital, avaliada em 78 mil milhões de dólares. Na sua base está outra app, criada em 2014, na China, a Musical.ly, que se dizia a “maior plataforma de criatividade do mundo”.

Criada por uma startup de Xangai (sediada na Califórnia) de redes sociais pensadas para adolescentes americanos, a aplicação de vídeos teve sucesso imediato. O Tik Tok oferece todas as possibilidades das outras redes: como no Instagram, pode enviar mensagens privadas e seguir os utilizadores, comentar, gostar e partilhar publicações e o registo é feito diretamente na app ou através dos dados de Facebook, Google ou Twitter. A audiência do Tik Tok vem de jovens que se fartaram de outras, como o Facebook, e até há pouco tempo era raro encontrar utilizadores com mais de 25 anos. No início deste ano, o Tik Tok foi a aplicação que teve maior número de downloads fora do universo muito específico dos jogos online e a rapidez de crescimento levou Mark Zuckerberg a manifestar preocupação pela inesperada concorrência que está a roubar utilizadores ao Facebook. A resposta não se fez esperar e lançou uma app rival, a Lasso, sem grande êxito.

Entretanto o Tik Tok continua a crescer em todo o mundo e há poucas semanas contratou Kevin Mayer, veterano da Walt Disney, para dirigir a operação como CEO.

O período de crescimento das novas aplicações é cada vez mais curto – a dúvida está em saber se conseguem manter um ciclo de vida que lhes permita monetizar o negócio e tornarem-se mais uma potência global como veículo publicitário, à semelhança do que já acontece com Google, Facebook e Amazon.

Diretor-geral da Nova Expressão, Agência de Planeamento de Media e Publicidade

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