Opinião

Tiques ideológicos

Fotografia: Miguel A. Lopes/Lusa
Fotografia: Miguel A. Lopes/Lusa

Claramente, não tenhamos ilusões, este não é um tempo propício a convergências políticas que permitam conceber reformas

Num ano marcado por eleições, era já esperado um aumento de crispação política, com reflexos nas esferas económica e empresarial.

Claramente, não tenhamos ilusões, este não é um tempo propício a convergências políticas que permitam conceber reformas de caráter estrutural ou delinear estratégias de longo prazo que requerem, para ser eficazes e duradouras, um mínimo de consenso.
Deveria ser, numa democracia que se quer moderna e desenvolvida, um tempo de confronto aberto entre visões e propostas distintas.

Mas não podemos permitir que este clima pré-eleitoral impeça entendimentos em áreas onde tem sido possível construir um espaço de cooperação entre o setor público e privado, nem muito menos que conduza a derivas ideológicas consagradas em leis que deveriam assegurar um enquadramento estável para setores cruciais da nossa sociedade.

Vêm estas considerações a propósito dos recentes desenvolvimentos no setor da saúde.
O que se passou nos últimos tempos vai, com toda a certeza, merecer a análise futura em termos de avaliação de políticas públicas e da eficiência do sistema. Num prazo muito reduzido, acaba-se com a PPP do Hospital de Braga (considerado em várias análises como o melhor hospital do país e reconhecido pelo Ministério das Finanças como um exemplo no cumprimento dos contratos e na poupança gerada para as contas públicas), avança-se ostensivamente com uma proposta de Lei de Bases da Saúde que pretende estatizar mais o sistema e, no caso da ADSE, em vez de se procurarem soluções, pretende-se criar a ideia que o problema é o facto dos privados serem prestadores de cuidados de saúde.

Esta guerra de trincheiras que alguns querem criar, pura e simplesmente não resolve os problemas dos portugueses, antes ilude os verdadeiros desafios.
Vemos aumentar as pressões de forças políticas que persistem em alimentar desconfianças e preconceitos contra o setor privado e antagonismos face às empresas, com reflexos no que costumo designar como “tiques ideológicos” nalguns modos de fazer política.
Retomam-se velhos mitos com a aspiração a uma realidade que, felizmente nunca aconteceu em Portugal: uma economia assente no setor público.

Todos conhecemos o peculiar ambiente político, mas o Governo não pode cair em tentações que fazem perigar o nosso modelo de desenvolvimento e os fatores de atratividade que temos.

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