Opinião: Manuel Falcão

Todo o mundo é feito de mudança

Netflix

Resumo da situação: em Portugal há mais gente a utilizar a internet, há mais gente que acede à internet via smart TV, há mais utilizadores de streaming de vídeo e de áudio.

O consumo de conteúdos está a mudar de forma rápida e a maioria dos espectadores já não segue os canais tradicionais. Aqui vão alguns números. Segundo a Marktest cerca de 75% dos portugueses utilizam regularmente a internet, um crescimento de quase quatro pontos percentuais em relação ao ano passado. Na prática, isto significa que cerca de 6,5 milhões de portugueses são internautas.

O mesmo estudo da Marktest indica que a penetração de internet é ainda bastante segmentada por idade. Se entre os 15 e os 34 anos atinge praticamente o pleno, já entre os mais idosos (65 e mais anos) não excede os 28,2%. O mobile phone é a plataforma mais comum de acesso à internet, usado por 67% dos portugueses, seguido do PC (59,9%), tablet (20,5%), TV (18,6%) e consola de jogos (8,5%). O que é curioso verificar é que nos últimos 12 meses registou-se um aumento de utilizadores em todas as plataformas, com especial ênfase para a TV (+ 9,3 pontos percentuais) e para o mobile phone (+ 9,1 pontos percentuais). O PC aumentou 4,7 p.p., a consola de jogos 2,7 p.p. e o tablet apresenta valores marginais de crescimento, na continuidade da estagnação desta plataforma, com mais 1,4 p.p.

A Marktest sublinha ainda que, sendo o crescimento no mobile phone e no PC superior ao crescimento global (+ 3,7 p.p.), isto significa que o crescimento de cada plataforma ocorre principalmente em indivíduos que já tinham acesso à internet por outra(s) plataforma(s) e que agora passam a aceder por mais plataformas. De notar que a utilização de internet através da televisão, passou de 9,3% para 18,6%, e já se encontra muito próxima dos valores observados na utilização da internet através de tablet. Ora isto tem que ver claramente com o aumento de utilizadores de plataformas de streaming video – que aliás não se repercute só graças ao aumento do parque de smart TV que acedem à internet, mas também através de algumas consolas.

Netflix e YouTube são líderes de audiência no streaming de vídeo e isto é claro que tem repercussões no consumo de televisão – cresce o consumo dos canais de cabo, dos serviços de streaming e decresce a audiência dos canais generalistas (RTP1, SIC e TVI). Desde janeiro deste ano o share dos espectadores que estava fora dos canais generalistas subiu de 47,6% para 54,5% e a inevitável conclusão é que a maioria dos espectadores já não segue os canais tradicionais. No final do primeiro trimestre um milhão e 509 mil pessoas em Portugal utilizavam serviços de streaming video.

Por outro lado, o estudo sobre audiência de rádio da Marktest quantifica, no primeiro semestre de 2019, em um milhão e 848 mil o número de portugueses que afirmaram costumar ouvir rádio pela internet, o que é o valor mais alto desde 2011, quando se começou a analisar este indicador.

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