Opinião

Trabalhar mais horas ou ter mais filhos?

Foto: DR
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A BMI Research, uma unidade que pertence à agência internacional Fitch, acaba de fazer uma revisão em alta para o crescimento da economia portuguesa. Avança que a mesma pode crescer 2,5% neste ano. A BMI Research, que já tinha elevado as previsões de crescimento para Portugal de 1,4% para 2,3% neste ano, e voltou ontem a encher a carteira dos portugueses de otimismo, com os 2,5%.

A mesma instituição internacional acredita numa melhoria assente na expansão da economia, mas avisa também que “a recuperação vai tornar-se cada vez mais desafiante, já que o rápido aumento do emprego – que impulsionou o crescimento do PIB – deverá abrandar fortemente durante os próximos anos”.

A BMI considera que há dois grandes fatores que podem causar uma desaceleração no futuro: emprego e produtividade. “Apenas um destes fatores tem contribuído para a expansão desde 2014 – e não é a produtividade. Nos últimos três anos, o PIB real cresceu em média 1,5% em termos homólogos, com o número de pessoas empregadas a crescer 1,8% – o que implica que o crescimento da produtividade (medida pela produção real por trabalhador) contraiu cerca de 0,3%”, realça o relatório daquela instituição.

Como dar a volta a isto? A BMI Research defende que “aumentar o número de horas de trabalho” poderia ajudar… mas, por outro lado, admite que é “improvável que dê um grande impulso”, já que em Portugal “os trabalhadores já trabalham mais horas do que a média da OCDE.” Confirma-se! Os portugueses que têm emprego no setor privado estão a trabalhar cada vez mais. Desde a última entrada da troika em Portugal que as empresas foram obrigadas a dispensar milhares de trabalhadores, mas mantendo boa parte dos negócios a funcionar. De lá para cá, apenas metade ou um terço dos elementos dessas antigas equipas têm de fazer as mesmas tarefas e alcançar os mesmos ou até mais objetivos, prolongando horários de trabalho.

As previsões otimistas das casas internacionais animam sempre os portugueses, mas as receitas que nos querem aplicar – como a hipótese de trabalhar mais horas – nem sempre são exequíveis. Num país que, no privado, valoriza o presentismo e as horas extras não pagas, o que faz falta é incentivar à produtividade e à melhor gestão. Ao produzirmos mais, num horário dito normal, estaremos a incentivar o equilíbrio trabalho-família e, mais tarde, a natalidade. Até porque se Portugal tem um grande desafio pela frente, esse desafio tem o nome de demografia.

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