Opinião

Trabalho 4.0 e inclusão: superar as barreiras do passado

Rui Valente

Digitalização, blockchain, trabalho 4.0, rapidez e tempo real.

Olhando de relance, pareceria que o futuro do trabalho é progressivamente sombrio para os cidadãos portadores de deficiência, condenados a ficar esquecidos e deixados para trás numa sociedade que tantas vezes parece pronta a confiar-se a uma eugenia nos mais diversos domínios.

Tamanho olhar pecaria, contudo, por assentar em premissa errada e por desmerecer potencial que existe no chamado trabalho 4.0.

A premissa errada é a de que os trabalhadores portadores de deficiência vinham ou vivem num passado e num presente risonhos. A verdade é bem distinta – assente num amontoado de barreiras físicas e de preconceitos – e explica que ainda recentemente o legislador haja sentido necessidade de estabelecer quotas de trabalhadores com estas características em empresas de dimensão considerável. Um pequeno salto face à dimensão do fosso…

O desmerecimento decorre de não ver que a digitalização pode representar uma ferramenta muito interessante para fomentar a inclusão destes trabalhadores.

Na verdade, a digitalização não exige a presença, não supõe a rampa de acesso ao edifício (aqui símbolo de todas as barreiras físicas) e permite que, com o uso da tecnologia e novas soluções sempre crescentemente disponíveis, seja mais fácil a estes profissionais mostrar a qualidade do seu trabalho e a sua produtividade – até por tantas vezes estarem tão habituados a percorrerem sucessivas etapas de auto-superação.

Claro que, para estes trabalhadores, noções como flexibilidade, teletrabalho ou um enfoque maior no resultado do trabalho serão absolutamente essenciais para saltar as barreiras invisíveis com que ainda se deparam, pois que o edifício que resguardou e resguarda o tradicional trabalho 1.0, 2.0 e 3.0 quase sempre foi, para eles, pouco mais do que a proteção “dos outros”.

Nesse sentido, de nada adianta ficar tolhido pelo medo dos mares que acabam e parece muito mais importante refletir acerca das caravelas e astrolábios que o sistema jurídico pode fornecer para que o futuro do trabalho possa contribuir para que estes trabalhadores possam aceder à única coisa que desde sempre pediram: uma oportunidade.

Irei abordar este tema no www.labour2030.eu

Rui Valente é advogado na Garrigues

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