Opinião

Transformação digital e empresas inteligentes: uma inevitabilidade

André Barbosa, Head of Digital Transformation IMBS

Há já alguns anos que o termo Indústria 4.0 passou a fazer a fazer parte do léxico das empresas dos mais diversos setores de atividade. Este é um conceito que aponta para uma tendência de automação total da produção e manufaturação, e para a criação de redes inteligentes com capacidade de se controlarem de maneira autónoma ao longo de toda a cadeia de valor.

Atualmente, este não é mais um conceito futurista, é uma realidade cada vez mais presente nas empresas que já não são capazes de renunciar aos benefícios que a tecnologia e a digitalização trouxeram para o seu negócio, com indicadores operacionais positivos que hoje já são possíveis extrair desta transformação digital.

A inteligência artificial, a interoperabilidade entre máquinas, M2M (Machine to Machine), a internet das coisas (IoT), a robotização e a análise de grandes quantidades de dados com recursos a ferramentas de Big Data, são apenas alguns dos pilares desta mudança, que tem vindo a contribuir para uma produtividade mais eficiente e, acima de tudo, mais inteligente. Estes pilares são possíveis de alcançar independentemente do investimento realizado, mas é a coexistência de três elementos essenciais que o tornam possível: Dados, Processos e Tecnologia.

A era da Indústria 4.0 é também a era da produtividade inteligente, uma era onde a palavra “conectividade” assume um papel preponderante. As tecnologias da Indústria 4.0 são capazes de conectar pessoas, equipamentos, máquinas e robôs, bem como sistemas de qualidade assegurada, rastreabilidade e error proofing (à prova de erros). Desta conectividade digital que liga pessoas, produtos e procedimentos em rede através de plataformas que disponibilizam informação em tempo real, resulta a potencialização de processos, tornando-os mais efetivos e simplificados. Isto é o pilar para uma produtividade inteligente e para que as empresas consigam extrair os mais elevados níveis de competitividade e, consequentemente, reduzir custos. Perante o atual cenário, é fácil afirmar que as empresas que saibam e consigam aliar tecnologia, dados e processos estão um passo à frente no seu setor, podemos até dizer que num futuro (e não muito longínquo) possivelmente só essas conseguirão manter-se no caminho do sucesso. Entrar no processo de mudança, de transformação e adotar essas tecnologias é uma questão de sobrevivência.

Olhando para o panorama de Portugal, afinal como estão as nossas empresas neste processo de transformação? Segundo um estudo realizado pela consultora EY e a Universidade Nova de Lisboa, publicado no final de 2018, poucas são as empresas nacionais que arrancaram para este desafio “de uma forma abrangente”, ou seja, embora cerca de 41% das empresas portuguesas já tenha iniciado o processo de digitalização há mais de cinco anos, reconhecem contudo que esse investimento na transformação digital não tem dado abrangido vertentes que englobam pessoas, estratégia, gestão de informação e liderança.

A juntar a estes dados, há ainda o relatório realizado pela IDC que estima que em 2021, mais de metade da economia mundial esteja digitalizada, contudo, na mesma altura, Portugal contará apenas com 30% das suas organizações digitalizadas. Isto porque, e de acordo com os mesmos analistas, apenas 37% das organizações nacionais têm atualmente uma estratégia de transformação digital alinhada à sua estratégia de negócio.

Perante este cenário, onde falta claramente ao tecido empresarial nacional estratégia e visão holística, que integre a transformação digital no quotidiano da organização, é urgente que as lideranças das empresas, dos mais diferentes setores de atividade, parem e se preparem para responder a três questões fundamentais: “a minha organização está capacitada para se adaptar e evoluir?”, “que estratégia existe na minha organização para o futuro?”, “a minha empresa tem os recursos necessários para evoluir e enfrentar esta mudança?”.

Transformar o negócio, os processos, a abordagem ou as relações é imprescindível para o sucesso, e essa tomada de decisão de munir a empresa das ferramentas para o fazer encontra-se nas mãos de quem lidera. Isso passa por dois aspetos fulcrais: o primeiro tem a ver com a implementação de processos e de tecnologia (conectados através de dados) de forma robusta e adequada às necessidades de cada organização; o segundo, mas não menos importante, está relacionado com a mudança do mindset da organização, garantindo uma estrutura de recursos humanos sólida, ágil e predisposta a embarcar nesta mudança.

Estes, são de facto, dois grandes investimentos: o da tecnologia e processos em si, e o de capacitar os colaboradores, tendo a capacidade de pôr em marcha uma aprendizagem contínua, criando uma cultura digital e fazendo com que as pessoas se sintam confortáveis em usar a tecnologia nas atividades diárias, com o talento a ser, sem dúvida, dos motores do processo de digitalização.

Os ganhos da implantação das tecnologias da Indústria 4.0 são inúmeros: aumento da produtividade, redução de custos, maior controlo sobre o processo produtivo e customização da produção, entre outros. E a realidade é que a transformação digital representa uma oportunidade para as empresas se tornarem mais competitivas no mercado, mais eficientes na análise de dados e mais inteligentes na forma como se relacionam com o cliente. Nunca como hoje essa oportunidade esteve tão perto do nosso alcance.

André Barbosa, head of digital transformation da IMBS

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