Travar "pulsões populistas" e atrair talento para Portugal

É fundamental mais proteção social na União Europeia para travar pulsões populistas", afirmou esta semana o primeiro-ministro. Um aviso a alguns partidos extremistas e populistas, já de olhos postos nas próximas eleições legislativas, marcadas para 30 de janeiro. O chefe de governo considerou essencial o reforço das medidas europeias de proteção social para compensar os custos das transições climática e digital em curso e alertou ainda que a exclusão alimenta as tendências populistas.

Na Cimeira Ministerial da Agência Espacial Europeia, que decorreu no Porto e com o tema "Acelerar a Utilização do Espaço na Europa", Costa lembrou que "em Portugal, não faltam exemplos de como os custos inevitáveis destas transições colocam a necessidade de proteção social para todos".

A tecnologia de pouco serve se a componente social não acompanhar os novos tempos. A transformação digital não diz respeito apenas aos seus criadores. Os benefícios das tecnologias devem ser não só divulgados como focados no verdadeiro interesse dos seus utilizadores, sejam eles indivíduos ou empresas. Os cidadãos enfrentam "desafios cada vez maiores e a sua qualidade de vida e o seu futuro sustentável só podem ser garantidos de forma eficaz através de uma nova geração de sistemas de informação, em que os sistemas espaciais orientados para o utilizador tornam os cidadãos europeus parte integrante", acrescentou o primeiro-ministro. Nesta área, desafiou a União Europeia a aumentar as suas ambições, em articulação com a estratégia com a ESA (Agência Europeia Espacial) e com uma meta: "assegurar a efetiva autonomia estratégica da Europa".

Já foi criada a Agência Espacial Portuguesa e "estão em curso processos de dinamização de novas indústrias do espaço, de atração de investimento estrangeiro e de dinamização da colaboração das instituições científicas e académicas na promoção de uma nova década de valorização de sistemas espaciais e de observação da terra", no contexto da implementação da estratégia Portugal Espaço 2030, afiançou.

Em paralelo com a aposta na tecnologia, inovação e desenvolvimento é preciso ter uma estratégia focada em investir, cuidar e reter talento em Portugal. A maioria das empresas, de todos os setores, tem manifestado o seu desespero com a falta de mão-de-obra, para as mais diversas áreas de atividade. Não haverá tech nation, muito menos ao nível do setor espacial, sem que o país consiga atrair recursos humanos qualificados e verdadeiramente bem pagos.

O valor dos salários continua a ser um calcanhar de Aquiles do nosso país e que cria bloqueios ao desenvolvimento. Sem cor partidária ou ideologia, é preciso discutir a utilidade e a competitividade de um salário médio que em Portugal ronda os mil euros. Que país queremos construir com recibos de ordenados com este preço? Faltará também ambição neste campeonato? Bastará aumentar o salário mínimo nacional e tudo fica resolvido? Não, não fica e nem essa opção política se converte, nem por milagre, na capacidade de seduzir os verdadeiros cérebros de que tanto necessitamos para colocar no bom caminho um país que, se quiser, pode oferecer ao mundo indústrias e serviços de valor acrescentado. Depois, aí sim, estaremos em condições de falar em maior redistribuição da riqueza.

Jornalista

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