Opinião

Turismo, uma oportunidade de ouro para a economia portuguesa

Grupo de estudantes chineses a estudar no Reino Unido, junto à Torre de Belém. Fotografia: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens
Grupo de estudantes chineses a estudar no Reino Unido, junto à Torre de Belém. Fotografia: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

Pelo segundo ano consecutivo, Portugal foi distinguido com o prémio de melhor destino turístico do mundo numa cerimónia do World Travel Awards que decorreu em Lisboa, em dezembro de 2018. Esta distinção reflete o culminar de anos de intenso trabalho por parte de diversos setores da economia portuguesa.

Não sendo necessário enumerar as já reconhecidas virtudes do sector turístico português, que mantiveram o país no primeiro lugar do pódio mundial, a Axesor Rating destaca a importância deste prémio para um sector que teve um papel decisivo na recuperação da economia portuguesa. Situação que se espera que seja mantida, ou mesmo reforçada, pela sua influência nas decisões futuras de turistas e operadores turísticos, e isto apesar da recuperação dos restantes mercados turísticos globais, geradores dos famosos “turistas emprestados”, que agora podem ter chegado para ficar.

Neste sentido, em 2017, o número de turistas que chegaram aos alojamentos portugueses cresceu 7% em termos homólogos, ultrapassando os 10,2 milhões, níveis máximos que excedem em mais de 30% os 7 milhões que, regra geral, Portugal vinha a registar dez anos antes. Contudo, espera-se um novo record, ainda dependente dos dados finais referentes a dezembro 2018.

Como não poderia deixar de ser, este aumento de atividade teve reflexos no contexto empresarial, fazendo com que a criação de empresas diretamente relacionadas com alojamento e restauração crescesse a uma taxa anual de 4% durante o período de recuperação económica. Este ritmo intensificou-se nos anos de maior fluxo de turistas, favorecendo a geração de emprego num sector que, no final de 2017, integrava mais de 346.200 trabalhadores, apenas 8% do total mas que por si só representa um em cada três novos postos de trabalho criados nos últimos dois anos, com o consequente efeito positivo na redução da taxa de desemprego para os atuais 7%.

De facto, o turismo tem sido um pilar importante dado o seu contributo positivo no sentido de equilibrar a balança corrente de uma economia que se caracteriza por constantes desequilíbrios com o exterior, gerando quase 7,5% do PIB do último ano e sendo responsável por um quarto do crescimento económico que se registou em 2017.

No entanto, o setor ainda enfrenta importantes desafios que, de alguma forma, exigirão novas reformas estruturais, especialmente no que diz respeito a um mercado de trabalho em que se destacam baixos níveis de qualificação e salários baixos. É de referir ainda a especificidade de um tecido empresarial sensível à evolução dos ciclos económicos que desincentiva o investimento privado que teria efeitos muito positivos na produtividade da economia portuguesa, tal como referimos a propósito da na nossa notação de BBB / estável recentemente concedida. A Estratégia Turismo 2027, que consiste no referencial estratégico para o turismo, criada pelo governo português é um exemplo claro do compromisso no sentido de evoluir o sector turístico que, desta vez, parece que veio para ficar.

Antonio Madera del Pozo, Head of Sovereign & Sub-sovereign Ratings de Axesor Rating

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